ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Coringa: Delírio a Dois e o Fenômeno da Espectatorialidade em Sequências Cinematográficas |
|
| Autor | Raphael Mendes de Souza |
|
| Resumo Expandido | A produção de sequências cinematográficas exige um equilíbrio entre manter a continuidade narrativa e estilística do original e inovar para justificar a nova obra e chamar a atenção dos espectadores. Quando o filme original atinge grande reconhecimento, as expectativas do público e da crítica moldam a recepção da sequência, que pode ser avaliada de maneira diversa, dependendo das escolhas criativas feitas. O presente trabalho é um estudo de caso do filme Coringa (2019) e sua sequência Coringa: Delírio a Dois (2024), ambos dirigidos por Todd Phillips. O primeiro filme foi aclamado pelo público e pela crítica por sua abordagem psicológica do personagem das histórias em quadrinho. O anúncio da sequência, que revelou a adoção de elementos do gênero musical e a presença de Lady Gaga, provocou, entretanto, reações divididas, como podemos notar nas postagens de redes sociais amplas (como Twitter) e dos espaços de discussão mais especializados (como o Letterboxd). A recepção oscilante reflete a tensão entre inovação e continuidade: enquanto alguns espectadores rejeitaram as mudanças, outros valorizaram a ousadia de uma nova abordagem. A pesquisa investiga como a relação entre os dois filmes afetou a recepção do público. Para isso, acionamos diferentes aportes teóricos para problematizar as múltiplas dimensões da espectatorialidade: o pensamento cognitivista de David Bordwell (1996) e Kristin Thompson (1988) nos ajuda a entender como as opções formais do filme moldam as atividades mentais do público; a teoria do Fluxo PECMA de Torben Grodal (2006) nos permite analisar como as respostas emocionais dos espectadores são influenciadas pela abordagem psicológica do personagem Arthur Fleck (o Coringa); a teoria culturalista de Janet Staiger (2000) nos permite examinar como fatores culturais e sociais impactam a apropriação dos sentidos das obras, podendo subvertê-los completamente; por fim, a semiopragmática de Roger Odin (2011) contribui com a ideia de que a mudança de gênero narrativo altera o espaço discursivo dos dois filmes, o que modifica também os modos da experiência espectatorial. A pesquisa, portanto, busca desvendar os múltiplos fatores que determinam reações heterogêneas do público de uma sequência cinematográfica, seja aceitação ou rejeição, ou os diferentes tipos de compreensão e apropriação dos filmes. A partir das teorias, a metodologia é composta por dois movimentos, realizados concomitantemente. O primeiro é a análise fílmica das duas obras, com objetivo de compreender profundamente suas mudanças mais significativas na narrativa e no estilo. O segundo movimento é uma pesquisa qualitativa (um levantamento de dados e uma análise dos discursos) das postagens sobre os filmes nas redes sociais mencionadas anteriormente (Twitter e Letterboxd), com o objetivo de mapear a multiplicidade de reações do público. É na articulação entre as mudanças formais dos filmes com os discursos produzidos pelos espectadores, que tentamos explicar o caso específico e o fenômeno mais abrangente do problema da espectatorialidade de sequências de filmes de sucesso. O trabalho é relevante por dois motivos principais. Primeiramente, contribui para os estudos de recepção cinematográfica e espectatorialidade, ao analisar as operações cognitivas, emocionais e culturais que se dão entre o público e as sequências. Compreender esse fenômeno é essencial na medida em que a indústria cinematográfica é cada vez mais marcada por franquias, num constante equilíbrio entre inovação e atendimento das expectativas do público. Em segundo lugar, o caso de Coringa e Coringa: Delírio a Dois nos permite analisar concretamente as tensões entre liberdade criativa e demandas do público. Assim, a pesquisa contribui para o debate sobre o papel das sequências no cinema contemporâneo, considerando tanto aspectos artísticos quanto comerciais. |
|
| Bibliografia | BORDWELL, David. La Narración en el Cine de Ficción. Barcelona: Paidós, 1996. |