ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Distribuição como parte do fazer fílmico. |
|
| Autor | Talita Arruda |
|
| Resumo Expandido | Em experiências prévias durante oficinas e palestras sobre distribuição audiovisual, é comum encontrar profissionais, em diferentes etapas de carreira, que afirmam não saber nada de distribuição. Este distanciamento alimenta estigmas e dificulta a compreensão da sua importância criativa e estratégica no fazer fílmico. Tal lacuna pode decorrer da ausência de aulas sobre distribuição nas grades curriculares das escolas e cursos de cinema, bem como pela percepção, por vezes precoce, de ser uma área voltada apenas para marketing e negócios. O acesso restrito, muitas vezes limitado a pessoas brancas, cisgênero e de alto poder aquisitivo, agrava o problema. Tais fatores levam a expectativas irrealistas e dificuldades de integração da distribuição com outros setores do ecossistema audiovisual. Entende-se aqui que a distribuição audiovisual é a ação de comunicar e disponibilizar obras audiovisuais para suas audiências, sejam elas de mercado ou finais. E, por tanto, pode ser melhor compreendido se denominado como distribuição e circulação. Para integrá-la ao fazer fílmico, é crucial desmistificar suas tecnologias. Trata-se de compreender, de forma simplificada, as estratégias de comunicação e promoção, negociação de licenciamentos, narrativas de campanha e planejamentos de circulação. Neste sentido, agrupam-se as tecnologias de distribuição como artísticas, afetivas e mercadológicas. Um agrupamento não excludente; mas que ajuda a organizar e facilitar a compreensão. As tecnologias artísticas abrangem as peças narrativas, como cartazes, trailers, teasers, sinopses, loglines, vídeos promocionais, brindes e outros materiais narrativos elaborados na divulgação. Já as tecnologias afetivas referem-se às estratégias de composição da equipe, modos de trabalho, intenções publicizadas, retorno dos públicos e interações emocionais que surgem na circulação dos filmes. Por fim, as tecnologias mercadológicas englobam os processos de negociação, licenciamento, acordos contratuais, escolha de janelas de exibição, estratégias de acesso e outras ações de impacto econômico da distribuição. A desmistificação considera a natureza orgânica e viva dessas tecnologias. Há aspectos planejáveis, mas por outro lado, existe uma dimensão da distribuição, enquanto escuta ativa, que lida com a imprevisibilidade, reconhecendo que nem tudo pode ser controlado. Essa flexibilidade alimenta as tecnologias, permite inovações e possibilita posicionamentos críticos perante à estrutura do audiovisual. Além disso, é importante compreender como responder, por meio das tecnologias de distribuição, às transformações no consumo, na mensuração de impacto, nas dinâmicas de exibição, nas novas tecnologias e na crise política e institucional do audiovisual brasileiro. Ou seja, as estratégias de distribuição são narrativas criativas, que caminham com as audiências, e por atuarem no ecossistema audiovisual, estão suscetíveis ao imprevisível e em constante adaptação. Ao considerar a desmistificação da distribuição, também é importante cultivar formas de trabalho próximas, transparentes e éticas. Isso garante uma relação de confiança entre as equipes de realização e evita que a distribuição seja encarada como prestação de serviço. E vê a distribuição como um trabalho criativo e em colaboração, que considera o perfil, do filme a equipe, o escopo do lançamento, o contexto mercadológico e as audiências pretendidas. As tecnologias de distribuição, como criações narrativas, são importantes linguagens comunicacionais em disputas ideológicas no campo político, econômico, social e cultural. Desempenham papel fundamental nos processos de desenvolvimento cognitivo, formação de identidade e consciência crítica. Fomentar o entendimento da distribuição como parte do fazer fílmico reconhece que um filme se completa ao ser compartilhado. Compreender suas tecnologias oferece ferramentas para promover mudanças estruturais na indústria audiovisual, tornando-a mais acessível, justa e equânime. |
|
| Bibliografia | D’ANGELO, Raquel, BORGNETH, Mário e MANEVY, Alfredo (Orgs.). Fórum de Tiradentes encontros pelo audiovisual brasileiro. Universo Produção, 2023. |