ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Decolonialidades americanas na montagem de uma versão iraniana |
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| Autor | MILENA SZAFIR |
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| Coautor | German Nilton Rivas Flores |
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| Resumo Expandido | Através da estereoscopia narrativa, visamos debater os caminhos - entre as mudanças e as constâncias - da montagem cinematográfica e da edição audiovisual desde conceitos, práticas, tecnologias e criatividades híbrido-contemporâneas a partir de três eixos: (1) montagem e decolonialidade (a construção identitária e o “lugar de fala”); (2) montagem e composição digital (o design gráfico, lógicas estereoscópicas e as “telas”); (3) montagem e gêneros cinematográficos. Para tanto, analisaremos no encontro de Belém a montagem como articuladora do pensamento no resultado estrutural, estético, histórico, ético e político junto ao filme A Versão Persa (2023), de Maryam Keshavarz - que se vale de estratégias visuais - a partir de um jogo de contrastes, justaposições e sobreposições - que tensionam as fronteiras entre passado e presente, identidade e alteridade, evidenciando como a montagem cinematográfica contemporânea vem expandindo suas possibilidades expressivas. Ao analisarmos como a narrativa do filme se estrutura, pretende-se demonstrar que a montagem audiovisual assume, assim, o papel central entre a estética do filme e seu discurso político, permitindo que múltiplas camadas de significado coexistam. Mais do que selecionar e organizar cenas, sabemos do poder e da potência da montagem na expressividade audiovisual. A edição deste filme norte-americano - a partir de um olhar iraniano pós-(i)migrante - desafia a linearidade convencional e instaura um jogo de sobreposições e rupturas que traduzem as complexidades da subjetividade “persa”. As transições entre cenas, a manipulação da velocidade e os cortes inesperados criam uma narrativa que se aproxima da lógica da memória, onde tempos distintos coexistem e se ressignificam. A montagem, aqui, se alinha à proposta decolonial ao questionar as estruturas tradicionais da narrativa cinematográfica europeia, construindo um discurso que resiste à homogeneização da identidade e valoriza a multiplicidade de olhares ao deslocar e fragmentar as imagens em edição digital. Ou seja, trata-se de uma narrativa cinematográfica construída através da montagem em seu sentido plural: “a montagem nem é ‘nada’, nem é ‘tudo’ [...] é um componente tão essencial da realização de filmes quanto todos os outros elementos eficazes da cinematografia” (Escorel, 2010, p. 43). Além disso, a contemporaneidade digital influencia diretamente o trabalho do ofício de montador/a, oferecendo novas ferramentas para explorar a composição gráfica e as pluralidades estéticas da montagem audiovisual: “refletir sobre montagem é refletir sobre a percepção do tempo” (Vasconcellos, 2015, p. 39). Em um ambiente onde softwares sofisticados - cada vez mais aliados às IAs - permitem manipular nossas subjetividades, o cinema se reinventa como um laboratório permanente de experimentação sonoro-visual. O filme aqui em foco se apropria dessas possibilidades ao integrar desde elementos gráficos na narrativa (e.g. letreiros; estética das redes sociais) até gêneros “marginais” (experimentais) como found footages, remixes etc. Ao articular montagem, tecnologia e subjetividade, A Versão Persa demonstra como a montagem pode ser compreendida como um espaço de disputa simbólica e reconfiguração da memória. O filme desafia o espectador a navegar por um fluxo narrativo descontínuo, em que a montagem apresenta-se como um espaço de descoberta e transformação no qual as imagens se relacionam de forma intuitiva e sensorial: “o processo de montagem precisa de tempo de reflexão e desconexão com os processos anteriores” (Rezende, 2003, p. 35). Buscamos, portanto, compartilhar nossas pesquisas (realizadas no PPGARTES/UFC e POSDOCDESIGN/USP) a fim de debatermos entre pares da SOCINE a utilização dos atuais recursos audiovisuais para refletirmos sobre a experiência da montagem (i)migrante e(m) suas múltiplas camadas: a montagem como ato fundamental na construção de significados, ritmos, atmosferas narrativas e cinematografias decoloniais. |
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| Bibliografia | AVERSÃO persa. Direção: M. Keshavarz. Produção: Marakesh Films et.al. EUA: Sony Pictures, 2023. |