ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Gênero e poder no fantástico contemporâneo: uma leitura de “O clube das mulheres de negócios” (2024) |
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| Autor | Maria Luiza Correa da Silva Staut |
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| Resumo Expandido | Ao analisar as estratégias pelas quais as mulheres podem se articular para problematizar e superar o contexto patriarcal, Dee. L. Graham (2021) destaca a ficção como um caminho fundamental, visto que ela permite a reimaginação das configurações sociais e suas dinâmicas de poder. “Acertadamente, o abusador teme a imaginação da vítima, por isso o incentivo a imaginação das mulheres aqui é um ato subversivo. Assim como Estados tirânicos censuram a comunicação e religiões autoritárias condenam a ficção, o abusador se sente ameaçado por qualquer leitura ou devaneio e se opõe a essas formas de comunicação da vítima consigo mesma, enquanto age para isolá-la de outras pessoas. No entanto, para aquelas que não estão sob vigilância 24 horas por dia, uma leitura que estimula a imaginação e, consequentemente, nos move em direção à mudança é possível.” (GRAHAM, 2021, p.260-261) Partindo desse princípio, o filme “O clube das mulheres de negócios” (2024), escrito e dirigido por Anna Muylaert, propõe um debate sobre inversão de papeis entre homens e mulheres, idealizando uma história na qual as mulheres ocupam posições sociais mais altas de controle e influência, enquanto homens são socializados como pessoas submissas e dominadas. Ao pensar essa alternância e para sustentar essa crítica utópica, a autora utiliza conceitos do universo fantástico proposto por Tzvetan Todorov, acrescentando elementos que caminham entre o real e o sobrenatural dentro da narrativa, além de também abordar a representação de personagens monstruosas descritas por Barbara Creed, no qual as mulheres que assumem um papel considerado “masculino” e normalizado para os homens, encaram um caráter de vilania e monstruosidade quando atrelado a personagens femininas. Além dessas contribuições, também serão abordados os estudos de Simone de Beauvoir, que pensa como a construção de uma “identidade feminina” não se deu a partir da natureza ou biologia, mas sim como uma construção social e cultural através dos séculos, e também de bell hooks, que aborda uma metodologia que busca analisar os filmes pensando uma crítica feminista, já que, segundo a autora, “a introdução, nos filmes, de discursos contemporâneos sobre raça, sexo e classe criou no cinema dominante um espaço para a intervenção crítica”. (2009, p.22) Com base nessa premissa, a pesquisa tem como objetivo analisar de que maneira o filme de Muylaert aborda tais conceitos para questionar e satirizar a nossa ordem social vigente, expondo as estruturas de poder que sustentam a desigualdade de gênero. Através dessa narrativa, investiga-se como a obra utiliza do absurdo e do estranhamento como uma estratégia crítica que compromete normas de comportamento naturalizadas para homens e mulheres. Ademais, o trabalho também busca compreender como o fantástico e o cinema de gênero podem constituir caminhos potentes para a construção de um discurso feminista mais consistente, já que esses gêneros oferecem possibilidades de histórias capazes de alterar a realidade e deslocar um olhar hegemônico, propondo novos imaginários sobre a subjetividade feminina. |
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| Bibliografia | BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo, vI, II. Tradução Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p. 70, 1980. |