ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | As pessoas em estúdios de animação e as mudanças na indústria criativa brasileira em uma década |
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| Autor | MARTA CORREA MACHADO |
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| Resumo Expandido | Na primeira incursão deste trabalho ao campo, realizada em 2012 como minha dissertação de mestrado (MACHADO & FISCHER, 2017), foi possível perceber que as práticas de gestão de pessoas em estúdios de animação brasileiros eram quase inexistentes, sendo um aspecto pouco valorizado pelos gestores. Os estúdios eram estruturas pequenas e as equipes administrativas limitadas aos aspectos financeiros básicos. Do ponto de vista dos colaboradores entrevistados, a relação com os conteúdos realizados e a capacidade de interferir criativamente no resultado final da obra eram pontos considerados importantes para a continuidade nos postos de trabalho. Os achados também confirmavam o que a literatura sobre indústria criativa apontava: a recompensa financeira, naquela época, era menos importante para os colaboradores que a realização artística e o reconhecimento social pelo trabalho realizado (EIKHOF e HAUNSCHILD, 2007). Nesse sentido, a dicotomia entre a realização artísticas e os objetivos comerciais nesses ambientes produtivos era minimizada pela satisfação artística e criativa dos colaboradores. Projetos de cunho meramente comerciais ou de prestação de serviços eram vistos pelos gestores como um trampolim para um momento futuro, quando seria possível manter o estúdio apenas com criação de propriedade intelectual própria. Entre os gestores entrevistados em 2012, parecia predominar uma consideração maior pelo trabalho criativo nos projetos do que pela gestão. As questões administrativas eram um fardo necessário a ser carregado e menos nobre que a criação de conteúdos em si. Sobrecarregados em sua maioria, apontavam que a estrutura financeira dos projetos não comportava a contratação de colaboradores que se dedicassem a aspectos específicos da administração, como a gestão de pessoas. Embora percebessem as pessoas como um dos recursos mais importantes em seu negócio, esses administradores não entendiam a gestão de pessoas como um elemento chave para a motivação e retenção de talentos. Já os colaboradores entrevistados assinalavam como pontos negativos do trabalho nos estúdios a ausência de benefícios trabalhistas e a incerteza quanto ao futuro da organização e de sua carreira. Como pontos positivos relacionados ao pequeno tamanho das produtoras, apontavam o clima familiar e informal e a proximidade entre gestores e colaboradores. Desde aquela primeira abordagem do tema, uma nova literatura surgiu em diversos países sobre os estúdios de animação. Alguns textos anteriores, que não eram facilmente encontrados, passaram a ser indexados pelas plataformas e tornaram-se acessíveis. Essa literatura cresceu e se diversificou, sendo possível perceber que boa parte dos dilemas enfrentados no Brasil são também aqueles de estúdios da Coréia do Norte, Filipinas, Colômbia, Itália (DELMESTRI, 2002; TSCHANG & GOLDSTEIN, 2010; YOON, 2018; SUÁREZ & GARCIA, 2016), entre outros. Naquele momento anterior, utilizamos a literatura sobre a gestão de pessoas em pequenas empresas e na indústria criativa de forma geral como referência para montar as variáveis de observação do trabalho, já que os quatro estúdios que compunham o estudo de casos múltiplos tinham esse perfil. Nesse novo estudo, a revisão da literatura se concentra nos artigos sobre as empresas de animação especificamente, ainda que em contextos culturais diferentes, levantando os aspectos que trazem sobre as pessoas nesses estúdios. Os achados agora apontam para o crescimento do setor, a maior mobilidade dos colaboradores entre projetos e estúdios e as dificuldades de retenção destes, já que o mercado brasileiro vem perdendo talentos para produções estrangeiras desde a adoção do trabalho remoto em larga escala durante a pandemia de COVID-19. O formato de contratação por projeto e a instabilidade no fluxo de financiamento à produção são fatores que apareciam na pesquisa anterior e persistem no campo, colaborando para a dificuldade de fixação da mão de obra em produtoras nacionais. |
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| Bibliografia | DELMESTRI, G. An Arabian Phoenix: Trust, Cooperation and Performance in the Italian Animated Cartoons Industry. Rochester, NYSocial Science Research Network, jun. 2002. EIKHOF, D. R.; HAUNSCHILD, A. For art's sake! Artistic and economic logics in creative production. Journal of Organizational Behavior, v. 28, 2007. |