ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Sons humanos e mais que humanos nos cinemas amazônicos |
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| Autor | Lúcia Ramos Monteiro |
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| Resumo Expandido | Dentro do campo da comparatística, os estudos comparados de cinema operam na análise de conjuntos de filmes a partir dos quais são identificados contrastes e semelhanças, iluminam-se tendências e verificam-se hipóteses, como na proposta das constelações (SOUTO, 2020). De modo geral, predomina a atenção a motivos visuais ou a tropos narrativos. Neste trabalho, pretendemos colocar em evidência primordialmente aspectos da banda sonora. Em filmes realizados na região amazônica nos últimos anos, interrogamos a presença de sons humanos, não humanos e mais que humanos, vistos sob a perspectiva do Antropoceno - ou Chthuluceno, para empregar o termo proposto por Donna Haraway. A intenção é investigar os sons produzidos por máquinas, por animais, pela vegetação e por outros seres em filmes como "A Febre" (Maya Dá-Rin, 2019), "Curupira Bicho do Mato" (Felix Blume, 2018), "Mãri Hi" (Morzaniel Iramari, 2023) e "Suraras" (Barbara Marcel, 2024). A expressão "mais que humanos" faz referência ao trabalho da antropóloga Anna Tsing (2021), que coordenou uma rede de pesquisadores em torno do Atlas Ferral, um projeto que identifica as escalas e as estruturas de diferentes fenômenos atualmente em curso no planeta. Observamos, em filmes amazônicos, uma atenção peculiar à banda sonora, que não raro enfatiza elementos não visíveis, presentes no fora de campo, ou seja, dá a ouvir elementos de qualidade acusmática (SCHAEFFER, 1993). Felippe Müssel, autor da banda sonora de "A Febre", estuda a questão em um artigo (2024), no qual dialoga com Steven Feld e com a "acustemologia" (2018; 2020). A expressão, proposta por Feld, é formada pela união entre acústica e epistemologia, reconhecendo "os impactos profundos dos humanos sobre as outras espécies e vice-versa" (FELD, 2020, p. 207). Interessa-nos, desse modo, pensar as consequências sonoras de conceitos como co-habitação e sociabilidade inter-espécies, a partir das experiências desenvolvidas pelos filmes em estudo. |
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| Bibliografia | FELD; S. “Alternativas pós-etnomusicológicas: a Acustemologia”. PROA Revista De Antropologia E Arte, 2(10), 193-210, 2020. Disponível em . |