ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | DIREÇÃO DE ARTE E REALISMO FANTÁSTICO EM “SEM CORAÇÃO” (2003) |
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| Autor | Dorotea Souza Bastos |
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| Coautor | Theresa Christina Barbosa de Medeiros |
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| Resumo Expandido | Retratando os dilemas, descobertas e aventuras juvenis do período da adolescência, Sem Coração (2023), filme de Nara Normande e Tião, traz o universo adolescente para a tela, ambientado no litoral de Alagoas, numa narrativa que mescla aspectos sociais e culturais na convivência entre os personagens. É neste contexto que o filme apresenta um elemento fantástico (FURTADO, 1980), que ganha destaque na narrativa: uma baleia, objeto fruto da imaginação das personagens Tamara e Duda (Sem Coração). Com uma estrutura de treze metros, o objeto utilizado no filme foi criado por uma equipe coordenada pelo Diretor de Arte Thales Junqueira. A baleia aparece em três momentos-chave para o desenvolvimento das relações entre as personagens principais do filme. A primeira aparição ocorre aos 25 minutos, logo após o que inicialmente acreditamos ser a primeira interação de “Sem Coração” (Duda) com os demais adolescentes. A segunda aparição acontece aos 48 minutos, quando a baleia já se encontra encalhada na praia. Nesse momento, acompanhamos novamente a perspectiva de Tamara e Duda, destacando-se os planos detalhe da textura do animal e o som expressivo das batidas do seu coração, que reforça a atmosfera fílmica da cena. A última aparição do animal ocorre em uma piscina abandonada, onde ele é cortado em blocos por homens. A montagem alterna entre a observação assustada de Duda diante da cena e um sonho com sua mãe, criando um jogo simbólico entre realidade e imaginação. É de nosso interesse explorar as possibilidades criativas e narrativas deste objeto fantástico, a partir “dos aspectos formais da materialidade cênica desenhada pelo Departamento de Arte para o set de filmagem; e o das suas reverberações no aspecto visual das imagens finalizadas, ou seja, na visualidade imagética” (BASTOS, PAIVA e MEDEIROS, 2023, p.54). No que tange ao aspecto formal de materialidade da cena (primeiro eixo de análise), abarcamos a baleia como objeto cênico, destacando os itens “cenografia” e “elementos derivados de efeitos especiais”, por se tratar de um elemento que, além de ter sua presença física na cena, engloba o uso de efeitos visuais mecânicos e especiais. Já no que diz respeito ao segundo eixo de análise - o mapeamento da narrativa estética desta materialidade no aspecto visual da obra - buscamos as conexões e as relações de sentido alicerçadas pela Direção de Arte e a sua dimensão dramatúrgica a partir da imagem (BASTOS, 2023), seja através na relação que as personagens desenvolvem com a baleia, seja com a simbologia que o objeto carrega. Neste sentido, embora o filme trabalhe com marcadores de uma estética realista, como profundidade de campo, plano-sequência e câmera na mão, existe também uma aproximação com o fantástico, que reflete o estado dos personagens, como consequência de suas dúvidas, medos e processos de mudança. Essas características, em Sem Coração, são acionadas especialmente a partir da presença da baleia, que resulta em uma fronteira borrada entre os elementos sobrenaturais e sociais. |
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| Bibliografia | BASTOS, Dorotea; PAIVA, Milena; MEDEIROS, Theresa. Apontamentos iniciais para uma metodologia de análise fílmica a partir da direção de arte. In: SUING, Abel et al. Imagens em Movimento. Lisboa: RIA Editorial, 2023. |