ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Gilka Machado e a coluna “Cine-Rio” (1918): crônicas de cinema da jovem poeta |
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| Autor | Luciana Corrêa de Araújo |
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| Resumo Expandido | A pesquisa sobre a crítica de cinema realizada por mulheres no Brasil ainda é bastante incipiente. Sobre o período do cinema silencioso, conheço apenas o artigo de Rafael de Luna Freire (2018), “Críticas de cinema mulheres na primeira metade do século XX: Apontamentos para uma História ou Zenaide, Rachel e Sylvia”, que, apesar de mais focado nos anos 1930 em diante, menciona os escritos sobre cinema da jornalista Zenaide Andrea a partir de 1929, na revista Frou Frou.
É valioso, portanto, encontrar textos dedicados a cinema escritos em 1918 pela jovem poeta Gilka Machado. Por um breve espaço de tempo, entre 21 de março e 19 de abril, ela assinou a coluna diária “Cine-Rio”, no recém-fundado periódico Rio-Jornal. No levantamento pouco aprofundado que realizei entre trabalhos dedicados à escritora, não foram encontradas referências a esta coluna de 1918. Em 1918, Gilka lançaria "Poesias, 1915-1917", incluindo poemas de seus dois livros anteriores, "Cristais partidos: poesias" (1915) e "Estados de Alma" (1917), que a tornaram conhecida tanto pela qualidade literária quanto pela ousadia erótica de seus versos. Embora com um tom mais coloquial, seus escritos sobre cinema muitas vezes espelham o estilo simbolista e sensual de sua poesia, focando em experiências potencializadas pelo “aguçamento dos sentidos” (Gotlib, 2016, p. 8), seja abordando filmes ou descrevendo as reações que provocam nos espectadores e nela mesma, através de comentários em primeira pessoa ou em diálogos com conhecidos e também com personagens aparentemente fictícias (todas mulheres). Traços marcantes da poesia simbolista, a expressão dos sentimentos e o recurso à sinestesia caracterizam os escritos de cinema de Gilka desde a primeira coluna, quando ela define o filme como “a ópera do olhar”, pois “pelo silêncio sensorial das telas vagueiam ritmos, em fermatas, crescendo e smorzandos, vibram nele as criaturas, enchendo nossos olhos de harmonia” (Machado, 1918, p. 4). Conclui a primeira coluna em estilo superlativo: “E o filme vai passando, breve, breve, como uma sucessão de pensamentos desordenados, nervosos, em voluteios de prazer, em convulsões de agonia e espasmos de lirismo...” (idem). Pelas características dos seus textos, que estão longe de ser resenhas dos filmes em cartaz, Gilka pode ser considerada não exatamente uma crítica e sim uma cronista de cinema. Sua coluna é um desdobramento em prosa de sua produção poética, tomando como tema os filmes e a experiência de frequentar as salas de cinema. Ao conferir ênfase especial ao trabalho das atrizes e à expressão de opiniões e sentimentos femininos, Gilka reforça seu compromisso com a emancipação feminina, questão candente na época, que movia sua criação artística e também marcava sua inserção social, a exemplo da participação ativa que teve no Partido Republicano Feminino, do qual foi sócia, secretária geral e subdiretora entre 1910 e 1915. O levantamento e análise dos escritos de Gilka Machado sobre cinema contribuem não só para os estudos sobre a inserção das mulheres no pensamento crítico ao longo da história do cinema no Brasil como também para o conhecimento sobre uma atividade pouco ou nada discutida dentro da produção literária e jornalística desta escritora singular. |
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| Bibliografia | FREIRE, Rafael de Luna. "Críticas de cinema mulheres na primeira metade do século XX: Apontamentos para uma História ou Zenaide, Rachel e Sylvia". In: Anais do IV Colóquio de Cinema e Arte da América Latina e II Colóquio Cinema de Autoria Feminina: campos vadios, mitos minados. Niterói, 2018, p. 241-251. |