ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | ENTRE O DITO E O NÃO DITO, O MAU DITO BETWEEN THE SAID AND NOT SAID, THE BADLY SAID |
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| Autor | RENATA PYRRHO NASCIMENTO |
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| Coautor | Daniel Dantas Lemos |
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| Resumo Expandido | Este estudo apresenta reflexões sobre a recusa na representação e a degradação como transgressão na comunicação e na arte, considerando o impacto da linguagem na produção de sentido. Ancorado nas teorias de ideologia, discurso, representação e linguagem (Hall, 2016; Eagleton, 1997; Chauí, 1980), analisa como o cinema e o audiovisual constroem sistemas de significação que reforçam ou contestam hierarquias raciais e de gênero. Recorre a imagens de arquivo, produções audiovisuais e à constituição da memória, articulando produção artística e o valor da imagem na contemporaneidade a partir de seu percurso histórico e político. A pesquisa discute os racismos enraizados (dito e redito), a ausência de pessoas negras em instituições culturais e acadêmicas (não dito) e a má representação de mulheres e pessoas negras no cinema e na mídia brasileira (mau dito), explorando como a repetição de discursos reitera estruturas de opressão. Busca-se pensar estratégias que desmontem essas formas cristalizadas de poder e representação, apostando na fabulação crítica (Hartman, 2020) e nas possibilidades poéticas da linguagem audiovisual. Para tanto, aciona autoras(es) que trazem conceitos fundamentais para a análise, como Denise Ferreira da Silva, Grada Kilomba, bell hooks, Kabengele Munanga, Leda Maria Martins e Stuart Hall. A pesquisa reflete sobre a arte afro-brasileira (Munanga, 2019), os racismos e a memória (Kilomba, 2017), bem como os modos de visibilidade e apagamento na arte e na mídia (hooks, 2019). Parte-se do entendimento da linguagem como prática social e do discurso como espaço de disputa por sentido (Orlandi, 2020), investigando os modos como a imagem opera tanto como ferramenta de opressão quanto de resistência. A análise de dois filmes centrais — A Morte Branca do Feiticeiro Negro (2020), de Rodrigo Ribeiro, e Tudo que é Apertado Rasga (2018), de Fabio Rodrigues Filho — insere-se nessa perspectiva, abordando os modos de inscrição do corpo negro e da ancestralidade na construção de contranarrativas. Ambos os filmes atuam na fronteira entre documentário e experimentalismo, desestabilizando expectativas de gênero, narrativa e linguagem audiovisual. A proposta é pensar esses trabalhos como formas de insurreição estética e política, que não apenas denunciam, mas criam espaços de escuta, fabulação e memória. A pesquisa revisita arquivos coloniais (Barbosa, 2016), questionando a função do arquivo como lugar de autoridade histórica, e explorando como esse mesmo arquivo pode ser tensionado, reorganizado e reinscrito por meio da arte. Metodologicamente, o estudo se ancora na análise fílmica articulada à Análise Crítica do Discurso, buscando compreender como elementos formais (montagem, som, estética visual, uso do corpo e da palavra) operam como dispositivos de resistência. A proposta é compreender o audiovisual não apenas como espelho da realidade, mas como território de disputa, onde se constroem narrativas, se (re)escrevem memórias e se enfrentam violências simbólicas. A violência das imagens coloniais é posta em crise, e seu reaproveitamento crítico revela-se como gesto político, ético e estético. Ao refletir sobre a função política e a violência das imagens e suas possibilidades de reconfiguração, este trabalho contribui para o debate sobre representatividade, memória e estética negra no cinema brasileiro. Propõe-se, assim, uma leitura que compreende o cinema como campo de fabulação, de reinvenção da história e de reexistência — um lugar em que a imagem deixa de ser evidência do passado e passa a ser construção ativa de futuros possíveis. Com base nas estratégias de transcodificação descritas por Hall (2016), o estudo explora formas de subverter sistemas hegemônicos de representação, evidenciando como o cinema pode operar como espaço de contestação e reinvenção discursiva. Palavras-chave: Discurso; Fabulação crítica; Arquivo colonial; Violência; Estratégias de transcodificação. |
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| Bibliografia | ANDRADE, Catarina; LESSA F. Ricardo. (2022). A morte branca do feiticeiro negro: a imagem-arquivo como re-existência. ANAIS – SOCINE, 2021. |