ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Olha já! Os Crias do FBCU |
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| Autor | Julia Couto |
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| Resumo Expandido | A digitalização dos meios de produção para a realização de obras audiovisuais, como câmeras digitais de baixo custo e a popularização de aplicativos de edição para celular, contribuiu para a promoção da realização audiovisual como um ofício cada vez mais acessível, contribuindo para um aumento quantitativo expressivo de materiais em vídeo disponíveis e em circulação nos meios digitais. Também se multiplicaram os cursos profissionalizantes e a oferta de cursos livres relacionados à produção audiovisual, que através da modalidade online puderam reunir quantidades cada vez maiores de estudantes, de todo território nacional, interessados em ingressar no setor. Por outro lado, o modelo histórico e político sobre o qual o setor audiovisual foi regulamentado prioriza há mais de 20 anos os índices econômicos para mensuração de sucesso de filmes e portfólios de empresas produtoras e distribuidoras, como números de bilheteria e índices de ocupação comercial do circuito de exibição, para atribuir pontuação a produtores e projetos que pleiteiam subsídio público. Essa lógica favorece a concentração de recursos em determinados territórios, com maior concentração de renda, e em determinadas empresas, historicamente influentes no setor. O tema da regionalidade e da representatividade dentro do setor passou a ganhar força no âmbito dos debates setoriais a partir de 2010 (Cândido e Félix, 2024), com a criação de organizações patronais, comissões de representatividade e ações de fomento com recortes específicos visando a reparação. Cabe ressaltar que os Festivais de Cinema brasileiros representaram, neste processo, tanto o espaço de mobilização como de divulgação destas iniciativas, uma vez que sua dinâmica é fortuita para a promoção de encontros, questionamentos e proposições de articulação internas do setor. O FBCU - Festival Brasileiro de Cinema Universitário foi o primeiro Festival de Cinema voltado para a produção de estudantes universitários brasileiros e o primeiro espaço de encontro nacional dos estudantes de cinema para trocas e discussões de temas que circundam o audiovisual. Criado em 1995, o FBCU acompanhou ao longo de sua trajetória tanto a expansão dos cursos universitários e profissionalizantes de cinema e audiovisual pelo Brasil como a expansão dos Festivais de Cinema, promovendo oportunidades para que os estudantes pudessem experienciar as dinâmicas propostas pelo circuito de festivais a partir de uma perspectiva específica, que articula formação, distribuição e exibição. A partir da avaliação dos catálogos do FBCU, além da sistematização dos filmes exibidos em um detalhado banco de dados, o projeto Crias do FBCU tem como objetivo oferecer perspectivas referenciadas de ex-estudantes/atuais profissionais do setor sobre os principais desafios e marcos de carreira em suas trajetórias. O conjunto de perspectivas mapeadas e aprofundadas pode promover insumos para quantificar desigualdades persistentes no setor, sejam identitárias ou tangentes à regionalidade, além de prospectar estratégias de reparação dessas desigualdades e do desenvolvimento de inovações que contribuam para uma maior representatividade e melhor distribuição regional de recursos pelo Brasil. O objetivo geral do projeto e principal interesse de pesquisa é o desejo pela realização de um mapeamento ou cartografia de percursos de carreira possíveis no setor audiovisual, a partir de um ponto de vista referenciado, ligado ao estudo formal e acadêmico nas áreas do cinema, da comunicação, da produção cultural e correlatas. Desse modo, a proposta de seminário temático Olha já! Os Crias do FBCU propõe a exibição de dados a partir do compilado de filmes da Região Norte exibidos nas 22 edições do FBCU, indicando temas, universidades e cursos participantes, trazendo em perspectiva tanto os filmes como as trajetórias de seus realizadores. |
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| Bibliografia | BAHIA, Lia. Discursos, políticas e ações: processos de industrialização no campo cinematográfico brasileiro. São Paulo: Rumos Itaú Cultural, 2012. |