ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | CONTEMPLAÇÕES PARALELAS: REFLEXÕES ESTÉTICAS SOBRE PRODUTORA BRASIL PARALELO ATRAVÉS DA SÉRIE UNIT |
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| Autor | Felipe Duarte Carneiro |
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| Resumo Expandido | “Contemplações Paralelas: Reflexões Estéticas Sobre a Produtora Brasil Paralelo Através da Série Unitopia” é um ensaio apresentado para a obtenção do grau de Bacharel em Cinema e Audiovisual. O trabalho busca compreender como a produtora de viés bolsonarista constrói um imaginário coletivo que mobiliza seu público em direção a posturas reacionárias, operando por meio de um labirinto informacional que adentro através da análise da série Unitopia. Parto da noção de “imaginário”, conforme desenvolvida por Erick Felinto em Vivendas da Imaginação, e dialogo com o pensamento de Walter Benjamin em A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica. Compreendendo o imaginário como experiência vivida, assumo a escrita em primeira pessoa, iniciando com a memória da transmissão do impeachment de Dilma Rousseff, em especial o voto do então deputado Jair Bolsonaro. Essa lembrança serve de ponto de partida para refletir sobre minha relação com o campo político e o papel da imagem e da linguagem audiovisual na formação de posicionamentos políticos através do sensível. A partir disso, volto-me à Brasil Paralelo, contextualizando sua relevância na cena audiovisual contemporânea e na esfera intelectual, ressaltando seu grande alcance popular contrastado com a escassa atenção acadêmica. Seus conteúdos – que incluem documentários, séries, podcasts, cursos e até um longa de ficção – surgem como frutos de uma mobilização iniciada na crise política de 2013-2016. Seus fundadores relatam esse período como marco da criação da empresa, cuja missão seria “resgatar a verdade” sem financiamento público. No entanto, com base em Britto, aponto que a Brasil Paralelo sempre contou com apoio de grandes empresas e figuras políticas, funcionando como um think tank e operando estratégias de soft power. Ainda que diversificadas, suas atividades convergem na produção audiovisual, voltada à síntese e disseminação de suas ideias. É nesse ponto que centro minha análise na série Unitopia, que funciona como porta de entrada para a lógica interna da empresa. Com apenas dois episódios, a série denuncia uma suposta crise universitária global, especialmente aguda no Brasil, atribuída à hegemonia ideológica de esquerda. Essa narrativa sugere que a academia perdeu sua função social e se tornou uma ameaça à sociedade civil. Analiso os recursos estéticos empregados para consolidar essa ideia: trilha sonora sensacionalista, enquadramentos típicos de talking heads, disposições espaciais dos entrevistados e o uso de animações didáticas. Ressalto também como a série se conecta a outros produtos da produtora, ampliando o alcance do seu discurso. Argumento que Unitopia não impõe diretamente uma ideologia, mas insere o espectador em um labirinto informacional, conceito inspirado em Calabrese, no qual conteúdos fragmentados e conectados constroem uma lógica interna difícil de ser questionada. A série exemplifica como a estética da Brasil Paralelo é desenhada para produzir engajamento e convencimento progressivo, mais emocional do que argumentativo. Concluo o ensaio afirmando que Unitopia atua como ferramenta de mobilização política, articulada a uma estrutura formal que dialoga com o contexto mais amplo no qual está inserida. Reforço a necessidade urgente de a intelectualidade da estética enfrentar diretamente esse tipo de material, de modo a ativar o conhecimento estético como instrumento político à altura dos desafios contemporâneos. |
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| Bibliografia | BALTAR, Mariana; LEPRI, Adil G. Gestões sensacionalista: as atrações e o audiovisual no YouTube. São Paulo, Matrizes. 2019 |