ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Território e Curadoria: criar e gerar métodos de análise fílmica na sala de aula |
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| Autor | Rúbia Mércia de O.Medeiros |
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| Resumo Expandido | Esta comunicação tem como objetivo apresentar e discutir o gesto curatorial que reuniu três filmes para acionar a discussão entre escrita de si, corpo e território. São eles: Fartura de Yasmin Tainá (2019), Edna de Edna Toledo (2018)e os dois primeiros episódios do projeto Nhemongueta Kunhã Mbaraete (2020). Tais filmes foram exibidos em sala de aula durante as seguintes formações: Narrativas de cinema por mulheres, com mulheres do Grande Bom Jardim (Fortaleza, 2020), e Ateliê em filmes-carta: Mulheres que tecem - diálogo com o sertão e a cidade (2021), este realizado em dois assentamentos - Nova Canaã e Recreio, no sertão central do município de Quixeramobim. As três ações giraram em torno de mulheres que não faziam parte do circuito da cena artística do cinema, mas que estavam disponíveis para encontrar nessas formações o acolhimento, a escuta, a relação, o cultivo com a memória, além da descoberta e do desejo de criação em audiovisual. O cinema, nessas formações, se apresentou como gesto de ativação das narrativas íntimas, tendo essas mulheres como protagonistas de suas histórias. Dessa forma, o desenho de filmes exibido foi necessário para um encontro com as obras feitas, posteriormente, por elas, com a narrativa de escrita de si e as diversas análises sobre território, corpo, gênero, cuidado, maternidade, imagens, sons etc. O filme Fartura, expõe a relação entre fotografia e vizinhança, no filme Edna, ela expõe os documentos, fotografias e caixas de remédio e a relação de cuidado com seu corpo, já no projeto Nhemongueta Kunhã Mbaraete, nos interessa a condução do filme-carta entre mulheres, pandemia e comunidade. As três obras se alinham na perspectiva da escrita de e com a comunidade que habitam. Tendo como pano de fundo a interligação com uma pedagogia do afeto, com a prática de análise de imagens e a construção de narrativas a partir da espectatorialidade dos filmes em sala, propusemos ver os modos de vida nos filmes para que estes se conectassem com os modos de vida das alunas. Como expõe Jacques Racière em seu livro O trabalho das Imagens (2021), “a questão central deixa de ser “como produzir imagens?” e passa a ser “o que fazem as imagens?”, “quais operações elas constroem?”. Tais filmes possibilitaram que as espectadoras (alunas) realizassem um mergulho nas questões sobre vizinhanças, construção de redes de afeto na comunidade, a relação delas com a autoimagem, a mulher e a estrutura patriarcal. Dessa forma, os modos de fazer desses filmes, suas composições e suas apostas são elementos fundamentais para entendê-los nessa tensão entre acontecimento e agenciamento. Como é que o cinema consegue articular modos de vida no território sem precisar sair dele para ter legitimidade enquanto experiência artística? Trazer essas questões para uma discussão e um desdobramento dos modos como a cena cinematográfica é ocupada com os filmes realizados por mulheres é possibilitar uma articulação para dentro do enquadramento-cena e para um quadro-articulações de um enfrentamento político e social. Acionamos, então, metodologias para criar uma estrutura de análise fílmica em sala de aula que pudesse dar conta também de uma análise das imagens e sons criados na formação, no intuito de organizar, enquanto método analítico, filmes e produções feitas em sala de aula. Aqui, portanto, trata-se de compreender esses cinemas como lugar de inscrição de acontecimentos, de ações e experiências. Para análise da curadoria, seguiremos uma linha norteadora: 1) Análise dos filmes produzidos por e com mulheres, considerando seus processos narrativos, estéticos, políticos, sociais, éticos, representativos e territoriais. |
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| Bibliografia | BRENEZ, Nicole. Cada filme é um laboratório. Entrevista. Revista Cinética (fevereiro, 2014). Online. Disponível em: http://revistacinetica.com.br/home/entrevista-com-nicole-brenez. |