ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | O cinema na gênese do tropicalismo: Glauber/Caetano |
|
| Autor | Claudio Leal |
|
| Resumo Expandido | O papel do cinema nas formulações tropicalistas ganhou menos acento na literatura crítica sobre as respostas do compositor-cineasta Caetano Veloso à representação do subdesenvolvimento e aos impasses do nacional-popular. Nos anos iniciais da ditadura militar de 1964, as vertentes da música popular pós-bossa nova se ordenaram no contraste entre a recusa à importação, em busca de saídas internas às inovações formais de João Gilberto, e o gesto de discípulos insubmissos ao sagrado bossanovístico, dispostos a dar sequência à ruptura de “Chega de Saudade” por outros meios impuros. O tropicalismo observou as transgressões do teatro, das artes plásticas, da literatura, da poesia concreta e da música sinfônica, mas encontrou no cinema a zona de afinidade dos conflitos políticos, técnicos e estéticos com a cultura de massa e a industrialização. Apesar desse imbricamento, o cinema vem sendo localizado quase exclusivamente na instância de explosão do imaginário tropicalista com Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, e não como fonte de inspiração estrutural para as reflexões de Caetano na década de 1960, quando exerceu a crítica de cinema em jornais baianos. Em Salvador, Caetano esteve exposto a debates relevantes para a organização do caleidoscópio do tropicalismo, desencadeados por cineclubes e cadernos culturais, que discutiam o projeto industrial do cinema brasileiro, a representação da nacionalidade nas chanchadas, o fracasso da experiência da Companhia Vera Cruz, o subdesenvolvimento, a política do autor, o estilo do filme nacional e o exótico nas imagens do Brasil. Este trabalho explora um confronto entre os programas do cinema novo e do tropicalismo, centrando-se nas obras críticas de Glauber Rocha e Caetano Veloso, lideranças teóricas dos respetivos movimentos. |
|
| Bibliografia | ROCHA, Glauber. Cartas ao mundo. (Org. Ivana Bentes). São Paulo: Companhia das Letras,
1997.
|