ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Processos de criação no cinema baixadense: a experiência do “Guapi-macacu, o filme” |
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| Autor | Gabriela Rizo Ferreira (Catu Rizo) |
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| Resumo Expandido | Esta proposição de comunicação pretende realizar uma partilha sobre o processo de criação do longa documental “Guapi-macacu, o filme” realizado pela autora ao longo de quatro anos (2021 – 2025) na Baixada Fluminense, região metropolitana do Rio de Janeiro. A obra busca criar uma experiência poética das águas fluminenses, seguindo o fluxo do rio Guapi-Macacu. Para tal, a narrativa embarca em um processo de escuta, encontrando pessoas que habitam e se relacionam com os corpos hídricos da região. Escutar o outro é um gesto fundamental do fazer documental e ainda sim um risco, um tatear, algo que se dá na inteireza dos encontros no presente da filmagem. A obra se moveu pela seguinte pergunta: como escutar as histórias dos rios fluminenses, tão esquecidos e apagados do nosso imaginário coletivo? Assim, o filme aposta na possibilidade do cinema de dar a ver e ouvir o tempo de forma espiralar e somos conduzidos em uma jornada que parte da foz do rio - na Baía de Guanabara, para a nascente; num fluxo contracorrente. Ao adentrar no antigo Recôncavo da Guanabara, a narrativa vai revelando uma presença ausente de um passado de importância histórica e social para a compreensão do que hoje entendemos por Baixada Fluminense. Os rios são parte integrante da cultura fluminense; um morador antigo que atravessou um apagamento de sua história e uma invisibilidade das comunidades que o cercam. Nesta comunicação interessa investigar as seguintes questões: quais são as metodologias que se inventam ao fazer um cinema imbricado no território? Quais são os modos de realização de um filme que se faz como conceituou Jean-Louis Comolli “sob o risco do real”? Como se faz um filme junto e um filme com, quando personagens não humanos protagonizam a narrativa? O cinema aqui é entendido como um trabalho de criação que opera na imaginação e nos sonhos que nos fora negado, possibilitando um acesso a memória ancestral do território Baixada de forte contribuição africana e indígena. Ao deslocamos nosso centro de interesse, imaginação e afeto para a direção contrária do centro do capital e da capital, outra forma estética e ética se apresenta, enquanto parte fundamental do trabalho audiovisual. Assim, fazer cinema baixadense não envolve somente criar narrativas no território, mas elaborar outros modos de produção e de relação entre a prática artística cinematográfica e a vida. “Guapi-macacu, o filme” surge em vizinhança com outras obras que compõem o cinema baixadense e produz comunidades sonhadoras, em que desejos e sonhos alimentam a criação de imagens e sons territorializados no chão que se pisa. O futuro é ancestral como nos diz Ailton Krenak e a práxis cinematográfica quando ancorada na fronteira temporal espiralar que resiste a narrativa linear hegemônica neoliberal do progresso, nos possibilita criar uma memória comunitária viva no agora do mundo. |
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| Bibliografia | COMOLLI, Jean-Louis. Ver e poder: a inocência perdida: cinema, televisão, ficção, documentário. Belo Horizonte : Editora UFMG, 2008. |