ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | “Que filmes ver, por que ver, e como ver?”: programação cineclubista como dispositivo opositor |
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| Autor | JULIANA VIEIRA COSTA |
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| Resumo Expandido | O dispositivo cineclubista nasce em um processo de artificação do cinema, ou seja, processo pelo qual os atores sociais passam a considerar um objeto ou uma atividade como arte onde antes não o faziam, lutando contra um imaginário coletivo fortemente ancorado na indústria. Desta forma, desde o seu advento, o cineclubismo se estabelece como um contra-dispositivo em relação ao dispositivo de mediação industrial, que articula uma comunidade em torno de uma programação de filmes. Devido ao aparato tecnológico e o acesso às cópias, os cineclubes até as décadas finais do século XX eram marcados por certa institucionalidade, possuindo, de modo geral organização e programação concentrada. Devido à democratização do acesso às mídias digitais e da mobilidade do aparato de exibição, em muitos casos, a organização cineclubista, bem como a programação, se descentralizou e se pulverizou em cineclubes menos institucionalizados, em que todos os integrantes podem ser alçados à condição de programadores (GONRING, 2015, p. 2015). Esta mudança vai intensificar a característica coletiva da atividade, instigando saberes coletivos sobre programação. Em O Cerol Fininho da Baixada, Heraldo HB discorre sobre as “tecnologias do encontro” (HB, 2013) operadas pela atividade cineclubista na contemporaneidade. Estas tecnologias engendradas pela prática coletiva criam dissensos e negociações em torno das escolhas de programação redistribuem os lugares de sensibilidade e de saberes entre os sujeitos (RANCIÈRE, 2012), emancipando-os em relação às suas decisões estéticas, políticas e discursivas dentro de um circuito cinematográfico ampliado. Desta forma, responder coletivamente as perguntas: Que filmes ver, por que ver, e como ver?” se revela um gesto político através da programação coletiva cineclubista, constituindo o cineclube como um dispositivo (AGAMBEN, 2009) opositor ao circuito comercial de exibição fílmica e a fruição doméstica, individualizada e algoritimizada do mercado de streamings. |
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| Bibliografia | AGAMBEN, Giorgio. O que é um dispositivo. O que é o contemporâneo e outros ensaios. Chapecó: Editora Argos, 2009. |