ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Políticas públicas do cinema indígena em Florianópolis e região: um cenário em expansão? |
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| Autor | Ana Paula Bragaglia |
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| Resumo Expandido | A despeito de retrocessos à Cultura, o audiovisual brasileiro ocupa “lugar de distinção e prestígio nas políticas públicas” de incentivo em “relação aos seus congêneres culturais (…) seja na dimensão orçamentária, regulatória e ou de representação institucional” (BAHIA, 2023, p. 29). O cinema catarinense também foi beneficiado por tais regulações nacionais (ANCINE, SAV, Lei Rouanet, Lei do Audiovisual, FSA, Leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo). (BAHIA, 2012; 2023). Ilustra isso o alto número de discentes e egressas/os do Curso de Cinema da UFSC contemplados no Edital Paulo Gustavo em 2023 (mais de 16 filmes). Políticas públicas regionais e locais do audiovisual no estado e em Florianópolis como a Fundação Catarinense de Cultura (FCC) – com o Prêmio Catarinense de Cinema -, e o Fundo Municipal de Cinema (FUNCINE) também contribuíram para que o setor crescesse, em 2021, 429% em 10 anos (LINS et. al, 2022). Tão marcante quanto a expansão do cinema catarinense é a presença histórica de povos indígenas em Santa Catarina e na Grande Florianópolis. São cerca de 21 mil indígenas em Santa Catarina, sendo predominantes as etnias Guarani, Kaingang e Xokleng. Florianópolis e região, segundo dados do IBGE de 2022, contam com 1.855 indígenas, número superado no estado apenas por Ipuaçu e Chapecó (MARQUARDT, 2024) No total, os indígenas equivalem a 0,84% (cerca de 1,7 milhão de pessoas) do total da população brasileira. (VELASCO, 2022) Para quem reconhece que sua ancestralidade é também indígena, além de afrodiaspórica, a necessidade de preservação e enaltecimento destes povos é inquestionável. Tal sentimento se torna imperativo quando confrontado com estatísticas históricas de que há 12 mil anos antes da vinda dos colonizadores portugueses já havia indígenas no país e que, no século XVI, estimava-se em cerca de 2,4 milhões a população indígena brasileira (enquanto já em 1998, este número reduziu para pouco mais de 300 mil). (VELASCO, 2022) Diante destes constantes cenários de ameaça e frente à expansão nacional e catarinense do Cinema, este trabalho busca investigar que políticas públicas do audiovisual tem sido realizadas para que, especificamente, povos indígenas historicamente constituintes do território da Grande Florianópolis (SC) utilizem o Cinema em suas lutas pela preservação de suas existências e culturas. Ações afirmativas mais amplas voltadas ao público indígena já se destacam em Santa Catarina. Exemplo disso é a inclusão dos povos indígenas nas políticas de ação afirmativa na UFSC: das 47,5% vagas em cada curso de graduação para estudantes do ensino médio público, 6% são reservadas também para indígenas, juntamente a pretos e pardos. (UFSC DIVERSIFICA, 2023) Como um dos desdobramentos destas ações, a graduação em Cinema na UFSC conta atualmente com 4 alunos indígenas regulamente matriculados e 1 egresso, Ítalo Mongconãnn, do povo Laklãnõ/Xokleng, que foi o primeiro estudante indígena do curso. Seu documentário “Resistir: Vários povos, uma só luta”, foi criado justamente para contestar comentários preconceituosos à criação do curso de “Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica” na UFSC, tais como: “Esse curso ensina a caçar capivara e fazer cocar” e “Esses índios aí são todos falsos, querem viver às custas do governo”. Outras obras exemplificam a expansão da cena audiovisual de povos indígenas catarinenses: “Só nos últimos dois anos, foram lançados filmes como 'Maloca Nossa Luta', 'Aqui Onde Tudo Acaba' e 'Vãnh gõ tõ Laklãnõ' em Santa Catarina”. (SCHWEITZER, 2024) Estes e outros filmes indígenas e as políticas públicas para o seu incentivo podem levar a mudar o discurso de que justamente quem mais preserva a humanidade é uma “sub-humanidade”. “Caiçaras, índios, quilombolas, aborígenes”, essa “gente que fica agarrada na terra” (KRENAK, 2019, p. 21), precisa ganhar cada vez mais as telas, ao contrário de porta-vozes do capital e do consumo, que são os principais responsáveis pela devastação da vida em nosso planeta. |
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| Bibliografia | BAHIA, L. Discursos, políticas e ações: processos de industrialização do campo cinematográfico brasileiro. São Paulo: Itaú Cultural, 2012. |