ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Contra-confinamentos: fabulação e performatividade nas obras de Grace Passô, Ana Pi e Jota Mombaça |
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| Autor | Paula Nogueira Ramos |
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| Resumo Expandido | Analisaremos trabalhos audiovisuais de três artistas brasileiras, Grace Passô, Jota Mombaça e Ana Pi, comissionados pelo Programa Convida do Instituto Moreira Salles nos primeiros meses da pandemia de covid-19. Em 2020, o Brasil enfrentava uma situação política complexa sob o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro. Esse cenário sociopolítico se manifesta, ainda que de forma indireta, e compõe uma camada significativa na construção dessas obras. As tentativas de escape da situação-limite são exploradas por meio de fabulações, “tensionando a impossibilidade de acreditar neste lugar em que estávamos situados” (PASSÔ, 2021). Como ponto de partida, questiono: de que maneira as dinâmicas restritivas da quarentena estabelecem um paralelo com questões sociopolíticas que estruturam a sociedade brasileira? Os três filmes apresentam séries de camadas que expõem, pela radicalidade formal, outras maneiras de lidar com as questões que permeavam o momento, criando gramáticas de fuga dentro e fora dos filmes. Em República (2020), de Grace Passô, os atos são encenados e desvelados de forma que realidade e ficção se confundem. O sonho indígena, central para a narrativa, sugere a inexistência do território Brasil tal como acreditamos que foi concebido, insinuando o fim da República como possibilidade de reinvenção do país. Jota Mombaça (2021), por sua vez, discute a Era do Lockdown como um período que se arrasta desde 2017, marcado por um contexto de perseguição. Em O que não tem espaço está em todo lugar (2020), a artista sobrepõe imagens de viagens na tela, em contraste com as fotografias captadas em seu quarto em Berlin. Áudios de trocas de mensagens são ouvidos em off, em inglês e corró, abordando aspectos íntimos das diversas tentativas de sobrevivência. Já Ana Pi traça um jogo entre a experiência vivida e inquietações especulativas, em que a mobilidade é fundamental para a compreensão da própria existência. Em Instituição_Intuição (2020), Pi expõe na tela do vídeo um tabuleiro composto por nove quadrados em que aparece em diferentes situações, enquanto em off, ouvimos o que parece ser uma conversa por videochamada. O objetivo da comunicação é analisar como as performances das artistas fabulam modos de resistência ao confinamento por meio da forma fílmica. A hipótese é que, ao vivenciarem a quarentena imposta pela crise sanitária mundial, as artistas tensionam a noção de confinamento por meio de radicalidades estéticas, extrapolando a experiência da pandemia e desafiando estruturas sociopolíticas. Os trabalhos colapsam as tentativas de captura das imagens pelos espectadores, exploram a fuga e refundam possibilidades de existência em territórios demarcados por constrangimentos e violências. |
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| Bibliografia | FREITAS, Kênia; BARROS, Laan. Experiência estética, alteridade e fabulação no cinema negro. Revista Eco-Pós, Rio de Janeiro, v. 21, n.3, 2018, pp. 97-121. |