ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | A voz de Carlos Vieira em Imagem, Filme e Celulóide: notas da história da crítica cineclubista |
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| Autor | Pedro Plaza Pinto |
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| Resumo Expandido | Os artigos curtos do cineclubista Carlos Vieira estão entre os materiais que levam notícias e balanços sobre atividades da cultura cinematográfica brasileira para Portugal até meados dos anos 1960. Vieira foi fundador e presidente do Centro de Cineclubes de São Paulo em 1956. Participou da “ocupação” na criação do Cineclube do Centro Dom Vital com Rudá de Andrade, Gustavo Dahl e Jean-Claude Bernardet. Foi articulador entre cineclubes paulistas e professor no Curso para Dirigentes de Cineclubes oferecido sob os auspícios da Cinemateca Brasileira no ano de 1958. Conforme Regina Gomes (2015), a década de 1960 é o momento do primeiro incremento no interesse sobre o cinema brasileiro em Portugal, demarcando o início do período desta relevante presença até o final do século XX. O objetivo da pesquisa mais ampla que dá origem ao recorte da presente comunicação foi examinar a contribuição da crítica brasileira, principalmente paulista e relacionada com a Cinemateca Brasileira, ao período inicial do quadro traçado por Regina Gomes. A compreensão sobre os documentos encontrados se orienta pela localização da inserção dos materiais no quadro ideológico das revistas especializadas em Portugal no período, conforme foi possível mapear em estudos históricos recentes. Esta atividade jornalística e crítica se dá com a mediação inicial da Cinemateca Brasileira e aponta para a I Convenção Nacional da Crítica Cinematográfica, em novembro de 1960, como primeiro indicador de organização, articulação e debate crítico. Nosso estudo partiu de um olhar sobre o processo cineclubista na São Paulo do nacional-desenvolvimentismo do final da década de 1950 e começo da seguinte, período do Curso de Dirigentes para Cineclubes, das mostras especiais com o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e com a Bienal de São Paulo. É o momento das visitas de Henri Langlois, Lotte Eisner, Georges Sadoul, marcado pelo crescimento da atividade do cineclubismo. Em particular, nos detemos sobre este processo ao verificar a publicação do organizador da cultura cineclubística Carlos Vieira nas revistas Imagem, Celulóide e Filme, de Portugal, entre 1960 e 1966. O envio de textos ou notícias sobre cineclubismo e cinema brasileiro – além da organização de segmento do número 47 de Celulóide sobre crítica cinematográfica brasileira, de julho de 1961 – é a principal tarefa que Carlos Vieira desempenha. Há a repercussão do clima de novidade que marcou o ano de 1959 e 1960 na crítica especializada no Brasil. Registra-se, além de Vieira, a presença de textos de Walter Hugo Khouri, de Salles Gomes, de Almeida Salles, de David Neves, Rubens Francisco Lucchetti, entre outros críticos e realizadores. Todavia, é o criador de cineclubes Carlos Vieira quem leva os diagnósticos abordados nesta comunicação. Inicialmente, há a publicação de dois artigos na revista Imagem (2a série), nos números 13 e 23, em 1955 e 1958: “A Situação dos Cine-clubes no Brasil”. Em Filme, comparece com a sua “Carta do Brasil” no número 21, de agosto de 1960. Entretanto, o período é claramente demarcado pela presença de Vieira em Celulóide, segundo um desenho histórico abordado: primeiro, ele traça o panorama do cineclubismo no Brasil nos números 13 e 22, de janeiro e outubro de 1959; depois, traça um quadro da crítica com a apresentação do dossiê com brasileiros no número 47 de 1961, após a Convenção de São Paulo; ao final, alguns anos depois, elabora uma “tentativa de análise” do cinema brasileiro já sob o impacto do Cinema Novo, em 1965, no número 65. A presença do cineclubismo ainda persiste no ano seguinte com notícias das jornadas de curtas-metragens brasileiras do período e com artigos breves sobre Gonzaga e Mauro, mas também apresenta o final do processo que, como em muitas outras atividades culturais organizadas, terá suas potencialidades afetadas com a Ditadura de 1964 plenamente instalada. Os tempos já são outros. |
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| Bibliografia | CUNHA, Paulo. Uma nova história do novo cinema português. Lisboa: Le monde diplomatique; Outro Modo Edições, 2018. |