ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | A crítica metamórfica de Caetano Veloso |
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| Autor | Rodrigo Sombra |
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| Resumo Expandido | A crítica de cinema foi a primeira atividade profissional desempenhada por Caetano Veloso. Entre 1960 e 1962, ele escreveu sobre filmes para diferentes publicações baianas. Se nas décadas seguintes o elo com o cinema se espraia na composição de trilhas sonoras diversas, em eventuais aparições como ator e na autoria de um único longa-metragem, O Cinema Falado (1986), cristalizou-se a percepção de que o exercício da crítica iniciado na juventude seria tão somente o prelúdio de sua exitosa trajetória musical. Na contracorrente, este trabalho reclama a persistência multidisciplinar da crítica cinematográfica de Caetano. Para isso, entendo que suas intervenções críticas se manifestam não apenas em artigos ou ensaios, mas também em canções, entrevistas e na feição reflexiva de O Cinema Falado. Sustento que Caetano não abandonou de todo o ofício de crítico. A depender da ocasião, este apenas se faz mais ou menos visível. Enquanto por vezes ele transparece assumidamente, noutras o crítico opera sob o disfarce de compositor popular, ou de intelectual público ou de cineasta bissexto. Este trabalho analisa de que maneira a crítica de cinema subsiste nas composições de Caetano. Neste sentido, me volto a dois casos particulares. Inicialmente, assinalo nos versos de “Noite de Hotel”, faixa lançada em 1987, ecos da reflexão em torno do nó entre arte e comércio que por anos frequentou os escritos do compositor. Em particular, “Noite de Hotel” retoma uma especulação pregressa, centrada no advento da MTV, esboçada por Caetano em artigo publicado no jornal baiano Cinema Livre. Neste texto, ele indaga o que restaria da radicalidade das vanguardas fílmicas da década de 1920 quando seus expedientes estilísticos eram absorvidos e redirecionados pela nascente cultura do videoclipe. Num segundo momento, este trabalho percorre o paralelo entre música e cinema, linguagens decifradoras da realidade brasileira, na canção “Cinema Novo”, de 1993. Por fim, discute-se também como a mise en scène, a música e os diálogos incorporados em O Cinema Falado inauguram, nos termos da linguagem compósita do filme-ensaio, um novo vocabulário crítico para Caetano. |
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| Bibliografia | ALTER, Nora M.; CORRIGAN, Timothy (Eds.). Essays on the Essay Film. New York: Columbia University Press, p.2017. |