ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | O relançamento comercial de obras restauradas digitalmente e o novo modelo de negócio audiovisual |
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| Autor | Arthur Brito Sayão Lobato |
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| Resumo Expandido | Esta pesquisa tem como finalidade analisar um novo modelo de negócio sustentável que nota-se no mercado audiovisual: o relançamento comercial de obras restauradas, tendo foco no processo de relançamento nas salas de cinema da obra restaurada digitalmente “A Hora da Estrela” no projeto Sessão Vitrine, analisando a campanha de marketing e o processo de restauro digital do filme. A Sessão Vitrine é um projeto de distribuição coletiva de filmes brasileiros e coproduções latino-americanas em salas de cinema comerciais, realizado pela distribuidora Vitrine Filmes. Estreando filmes a preços reduzidos, o projeto realiza sessões com debates, com o principal objetivo de potencializar a formação de público para o cinema, promovendo a democratização do Cinema Brasileiro. O programa de distribuição acontece desde 2009 e já passou por várias edições, já passando por uma fase com patrocínio, com incentivo público estadual e apenas com recursos próprios. Todas essas fases reverberam em edições diferentes, com resultados diferentes. Em 2023, o projeto Sessão Vitrine voltou com verba patrocinada, desencadeando um rebranding do projeto, incorporando novas perspectivas e tendências de mercado. Esta pesquisa também dará oportunidade de retomar o tópico do histórico recente de políticas públicas no Brasil focado no setor de distribuição e o estudo do projeto de distribuição coletiva Sessão Vitrine, surgidos durante o trabalho de conclusão de curso deste pesquisador na UFF. Analisando, assim, a trajetória do projeto de distribuição coletiva, os investimentos e patrocínios realizados durante os anos e, claro, com o foco na última edição e na importância do retorno das políticas públicas para o audiovisual. A pesquisa atual pretende ir além do setor de difusão, tendo o eixo também nas políticas públicas para o setor de preservação (também preterido em relação às políticas públicas do setor de produção). Especialmente como o campo se desenvolveu com a tecnologia digital a partir dos anos 2000 — período histórico que coincide com a criação da distribuidora Vitrine Filmes, e do projeto de distribuição Sessão Vitrine — e buscar outros exemplos de casos em que filmes foram restaurados e relançados comercialmente. A princípio, essas obras restauradas costumavam a ser exibidas em festivais ou mostras do nicho de preservação e hoje marcam presença em todos os tipos de festivais. Não somente, o filme restaurado vem chegando com potência no segmento de salas de exibição, notando-se, pois, uma tendência e uma expectativa do público em assistí-los em salas de cinema. Ou seja, esses filmes relançados seguem na atualidade, de modo geral, a cadeia de valor setorial e o fluxo de produtos, conceito de Alex Patez Galvão (2003). Outra tendência relacionada às salas de exibição nos últimos anos a ser estudada é o conceito de “filme-evento”, que pode ser percebida em grandes lançamentos aguardados pelo público. Uma hipótese é que o relançamento em salas de cinema de filmes restaurados possui semelhanças às sessões de mostras ou festivais de filmes clássicos e cults, que por sua vez, possuem características de um “filme-evento”. A partir destas premissas, a pesquisa busca analisar esta tendência de mercado que produz novos modelos de negócios. Serão analisados em comparativo o processo de relançamento e o contexto econômico-político de restauro do filme “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969) de Glauber Rocha, “A Rainha Diaba” (1974) de Antonio Carlos da Fontoura, que passaram por processos de restauração em 2008 e 2022, respectivamente; “Old Boy” (2003) de Park Chan-wooke e “Durval Discos” (2003) de Anna Muylaert, aquele restaurado e este digitalizado, ambos relançados nos cinemas em 2023 pela Pandora Filmes e Vitrine Filmes, respectivamente. Os processos envolvendo diferenças de territorialidade, de contexto político e plano de financiamento para a restauração serão examinados, assim como se deu a campanha de divulgação de cada lançamento. |
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| Bibliografia | ALMEIDA, Paulo Sérgio; BUTCHER, Pedro. Cinema: desenvolvimento e mercado. Rio de Janeiro: Primeiro Plano, 2003. |