ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | A criança cuir cresceu |
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| Autor | Diego Paleólogo Assunção |
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| Coautor | VINICIOS KABRAL RIBEIRO |
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| Resumo Expandido | Esta proposição segue as luminescências de textos, artigos e pesquisas anteriores: “Revides infantis”: de quando fomos ao cinema e saímos do armário (2020); Tornar-nos Crianças: Auto/etnografias, cuidados e reparações (2020), desenvolvido em colaboração com Adriana Azevedo; Ensaio sobre vivências: fricções de borboletas (2020); e Sobrevivência das Borboletas (2019). Nessa constelação de ensaios e artigos, realizamos uma cartografia a partir da pergunta (tão material, tão corporal) de Preciado: "Quem defende a criança queer?", refletindo sobre as formas pelas quais as imagens em movimento contribuem para a criação de linhas de fuga, tanto diante quanto através do nosso arquivo corporal deste mundo. Ao dialogar com Eve Sedgwick (Como criar filhos gays?), com Donna Haraway e Rosi Braidotti, em busca da capacidade de produzir respostas no e para o presente, com Muñoz, Anzaldúa, Lemebel e outros, as infâncias cuirs se tornam núcleos narrativos que, como um farol, iluminam as energias e a pulsão dessas pesquisas. Nesta proposta, seguimos também essas pensadoras e pensadores, como Vivian Sobchack e Jack Halberstam. Partimos do princípio de que as experiências individuais se coletivizam no encontro, no contágio, nos imaginários e nas vidas que compartilham códigos, signos, metáforas e alegorias, compondo um repertório visual vasto e semovente. "A criança cuir cresceu" surge, então, de experiências recentes, de episódios que marcam e assombram, mas que também trazem à luz o que antes era invisível, por meio de exercícios de siderações, conversações. Talvez, nas últimas décadas, a criança que fomos tenha desenvolvido ferramentas estético-políticas para habitar e amar no presente. Foi uma conversa ao telefone. Um em Caldas Novas, o outro em Tiradentes. Ao relatar um episódio, Vinicios disse: "Pois é, mas a criança cuir cresceu". Essa frase — esse quase slogan, essa anunciação — move poeticamente o passado, desarticula e desarma violências e futuros projetados para os corpos da comunidade LGBTQIA+. A criança queer cresceu. O uso do tempo verbal é crucial, pois se refere a um movimento do passado ao presente, implica continuidade e permanência. Algumas crianças cuirs não cresceram, mas muitas sim. E essas algumas... O objetivo deste trabalho é a realização de um vídeo-ensaio das memórias do corpo que impulsionaram suas trajetórias para o futuro-presente e se tornaram modulações políticas para pensar, observar e deitar com as imagens do presente. Quais formas as imagens em movimento do cinema, da televisão, as personagens bichas, afetadas, afeminadas, povoaram os desejos de vida das crianças cuirs? E onde, nesse torvelinho do tempo colapsado, elas se proliferam, se desejam? As personagens da televisão brasileira dos anos 80 e 90, com suas afetações, coragem (não apenas a coragem escrita no roteiro, mas a coragem da entrega) e "moveções" de mundos, constituem uma gramática visual para esse vídeo-ensaio. Vera Verão, Seu Peru, Natasha, Tieta, Rogéria, Xuxa — um contínuo ethos bicha, queer, cuir. Além disso, as imagens do passado se infiltram nas do presente. O cinema, a cinesia da imagem , em seus devires inalcançáveis, é, por sua vez, a relação cuir/estranhada entre o corpo que assiste e a imagem que se move na tela. É nesse espaço, nesse entre, onde a suspensão se articula e o corpo se afeta, que reside a energia das imagens. "A criança cuir cresceu" não gera, obviamente, uma resolução dos problemas, conflitos ou violências. É menos a passagem crononormativa do tempo e mais um carregar nas tintas de uma temporalidade queer, espiralada. Também não se trata, como já foi salientado, de uma "infância queer" universal. Não estamos alheios às particularidades e singularidades que marcam os corpos, as experiências e as sobrevivências. Sem embargo, a criança cuir crescer implica um gesto político radical diante do mundo; suscita construção e continuidade de repertórios antes p/ “entendidos” e que agora resultam gestos de continuidade e rupturas. |
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| Bibliografia | BRAIDOTTI, Rosi. Ética afirmativa, futuros sustentáveis. In: GADANHO, Pedro. LAIA, João. VENTURA, Susana. Utopia/Dystopia: a paradigm shift in art and architecture. Milão: Mousse Publishing, 2018. |