ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Batuque de Nelson Silva: territórios audiovisuais e comunidades-imaginadas |
|
| Autor | Guilherme Rezende Landim |
|
| Resumo Expandido | As encantarias propostas na linguagem audiovisual, bem como no conjunto de imagens do Batuque Afro-Brasileiro de Nelson Silva, podem ser analisadas como um território de sobrevivência e propulsão da experiência cosmopoética de um quilombo cultural urbano para novas temporalidades, novos imaginários e comunidades imaginadas resistentes. O Batuque, como um movimento cultural, torna-se também um espaço de construção de uma identidade coletiva afro-brasileira. Os sambas, mambos, rumbas, boleros e as canções folclóricas que Nelson Silva resgatava, além de preservarem uma memória musical, continuam sendo instrumentos de luta. Ao criar um espaço comunitário onde os integrantes poderiam expressar suas angústias, suas alegrias e suas resistências, Silva transformou a sonoridade em um ato de afirmação da identidade negra e da sua ancestralidade. No contexto de um Brasil onde as questões raciais eram frequentemente silenciadas, o Batuque tornou-se uma plataforma de visibilidade para o povo negro. Neste contexto, o cinema é considerado uma camada adicional de memórias do espaço-tempo, um território de reinvenção e uma ferramenta estética, política e poética de partilha do sensível (RANCIÈRE, 2009) e de manutenção histórica da memória cultural do grupo, que é patrimônio imaterial de Juiz de Fora (MG). Entre 2015 e 2024 foram realizadas pesquisas com o Batuque Afrobrasileiro de Nelson Silva envolvendo um conjunto de memórias: um documentário curta-metragem, um média-metragem, uma exposição fotográfica física e uma galeria virtual. Analisamos o papel e o processo criativo das imagens na construção de um imaginário coletivo diante da dinâmica das representações e performances. Nessa análise, refletimos sobre o lugar das imagens, investigando como a experiência sensível do documentário se torna um espaço de negociação de identidades (HALL, 2003), memórias (ASSMAN, 2011; MARTINS, 2021), a partir da teoria do cinema documental (NICHOLS, 2005), antropologia da imagem (PIAULT, 2018), etnografia fílmica (MONTE-MÓR, 2013), das construções identitárias (SOBRINHO; CARVALHO, 2016) e dos estudos culturais como métodos e processos de investigação. Além disso, buscamos compreender as dimensões performáticas e comunitárias do Batuque Afrobrasileiro de Nelson Silva por meio do conjunto de imagens-memórias, na perspectiva de comunidades imaginadas (ANDERSON, 2008) e imaginários comunitários. |
|
| Bibliografia | ASSMAN, Aleida. Formas de memoria colectiva. Madrid: Nueva Visión, 2011. |