ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Não há nada de natural na natureza - atores não profissionais no Cinema de Bresson e Pasolini |
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| Autor | Flavio Kactuz (Flávio C. P. de Brito) |
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| Resumo Expandido | Este trabalho pretende contribuir para os estudos de História do Cinema, naquilo que tange a performance e a direção de atores, tendo como foco principal a presença de atores não profissionais nos filmes de Robert Bresson e Pier Paolo Pasolini. Neste sentido, busco saber o quanto os dois cineastas se distanciam de um usual naturalismo mesmo optando por trabalhar com atores não profissionais. Algo até então difícil de se imaginar no equivocado e limitado dualismo criado no universo cinematográfico que, infelizmente, ainda encontra eco nos dias atuais, construindo duas únicas categorias com insistente solidez, entre “atores” e “não atores”. Desconsiderando a enorme subjetividade que há na categoria de “não ator” e todas as múltiplas nuances que permeiam o fenômeno da atuação. Todavia, não podemos ignorar quão distintos são os resultados obtidos pelos dois cineastas. Podemos ao máximo evocar alguma proximidade ao observarmos uma rígida preferência ao selecionar pessoas com exígua experiência profissional, no caso francês, ou mesclar alguns com notável e outros com nenhuma, no caso italiano, porém, ambos se recusam a aceitar uma atuação naturalista. Talvez a recusa, não apenas dos trejeitos naturalistas, mas também do modo interpretativo que acabou se tornando convencional e imperativo entre os grandes atores, pode nos ser útil para uma possível analogia. Muito mais do que a definição de um ponto de convergência estilística, pois seus resultados já se diferem desde os critérios adotados na escolha do casting, passando pela composição das personagens até o processo final de montagem. Se por um lado Pasolini opta por um caminho muito peculiar, ainda que tributário do neorrealismo de Rossellini, mesclando não apenas pessoas com vasta ou exígua experiência, mas também fazendo estranhas junções entre corporeidades e vocalidades igualmente distintas, Bresson investe numa evidente e complexa neutralidade de expressões faciais e gestos extraídos do cotidiano com seus “modelos”. Afinal, devemos recordar que estamos tratando de dois cineastas que se destacam pela originalidade na qual construíram suas filmografias e muito se distanciaram de uma direção convencional de atores. Para esta análise, além de preciosos depoimentos, extraídos em livros e entrevistas, iremos considerar os estudos de Jean Sémolue, Luciano De Giusti, Roberto Chiesi, Hervé Joubert-Laurencin e Naomi Greene. |
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| Bibliografia | BETTI, Laura; GULINUCCI, Michele. Le regole di un'ilusione. I film, il cinema. Roma: Associazione Fondo Pier Paolo Pasolini, 1991. |