ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Zimbo Trio no cinema. |
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| Autor | FABIO RADDI UCHOA |
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| Resumo Expandido | A proposta abrange uma análise das contribuições do Zimbo Trio em quatro longas-metragens do cinema brasileiro da década de 1960: "Noite Vazia" (1964), "A Margem" (1967), "O Quarto" (1968) e "As Armas" (1969). Apesar de bastante pesquisado na área de música, pouco foi dito sobre as colaborações do Zimbo Trio em trilhas sonoras/musicais. O objetivo central da presente pesquisa é mapear as intersecções entre a música, a narrativa audiovisual e os significados sociais que emergem dessas obras. O trabalho fundamenta-se numa abordagem em duas etapas. Primeiramente, a delimitação das características sonoras e dos gêneros musicais em que o Zimbo Trio se destaca, como o samba-jazz e a bossa nova, através da análise de discos e shows. Num segundo momento, passa-se a uma análise audiovisual, inspirada nas propostas de Chion (2011), examinando as figuras e funções narrativas das músicas do Zimbo Trio nos filmes. Essa metodologia permite discutir as tensões entre engajamento político e adesão à indústria cultural (NAPOLITANO, 2010), ou entre nacionalismo e universalismo cinematográfico (RAMOS, 1983). Os resultados mais detalhados desse trabalho foram publicados no artigo “Zimbo Trio no cinema: gêneros musicais e análise audiovisual” (UCHOA, 2023) e serão pela primeira vez apresentados em congresso. A primeira parte do estudo explora a trajetória do Zimbo Trio nos anos 1960, destacando seu papel na música popular brasileira (MPB) e sua associação com a cantora Elis Regina – com ênfase ao programa televisivo “O fino da Bossa”. A análise revela que a complexidade dos arranjos musicais do trio, que combina elementos de bossa nova e jazz, reflete as transformações sociais e culturais do Brasil à época. O trio emerge como um paradigma que une tradição e inovação, contribuindo para a popularização da música instrumental e vocal no contexto da MPB. Na segunda parte, a pesquisa aborda as colaborações do Zimbo Trio nos quatro filmes mencionados. Aqui, analiso como a música do grupo se relaciona com as narrativas audiovisuais, destacando a função da "música de fosso" e da "música de ecrã", conforme proposto por Chion. A análise indica que a música não apenas acompanha as imagens, mas também intensifica a experiência emocional dos personagens, refletindo suas interioridades e a dinâmica social do período. Para as análises, foi desenvolvida uma metodologia que compara sequências cinematográficas e Leitmotifs executados pelo trio, incluindo a transcrição de trechos das trilhas musicais e um debate em contato com conhecimentos de melodia e da harmonia. Por fim, concluo que a colaboração do Zimbo Trio no cinema não é meramente uma adesão à indústria cultural, incluindo uma proposta de resistência e reflexão crítica sobre a realidade social brasileira. A pesquisa sugere que as obras analisadas, embora inseridas em contextos de produção universalista, revelam nuances e complexidades que desafiam essa categorização, contribuindo para um entendimento mais profundo das práticas culturais da época. |
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| Bibliografia | CHION, Michel. A audiovisual: som e imagem no cinema. Lisboa: Mímesis, 2011. |