ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Devir-fera: circulações estéticas e históricas no cinema Mbyá-Guarani |
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| Autor | Beatriz Rodovalho |
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| Resumo Expandido | Essa comunicação propõe pensar as circulações estéticas e históricas das formas e práticas cinematográficas estruturantes do cinema mbyá-guarani a partir do filme A Transformação de Canuto (Ariel Kuaray Ortega, Ernesto de Carvalho, 2023). O filme, por meio de uma estrutura movente baseada na intertextualidade assim como na atualização e na (re)criação de histórias compartilhadas, desloca paradigmas representacionais desenvolvidos pelos filmes realizados durante a primeira década da produção do Coletivo Mbyá-Guarani de cinema - este cinema cuja possibilidade advém do próprio paradigma da metamorfose : como diz Ariel Kuaray Ortega, trata-se de transformar a câmera em um ser guarani. Estabelecendo um regime adjacente à ficção e ao documentário, o filme revela possibilidades de retomada - de subversão, torcimento, expansão, destruição e elaboração narrativas por meio do cinema. Interrogando as histórias do passado recente da comunidade Tamanduá (Misiones, Argentina), assim como seus movimentos de transmissão e de reinvenção permanente, o filme coloca em jogo a narração possível da história de Canuto, homem que sofreu o ojepotá, tendo-se transformado em onça. Em uma narrativa auto-reflexiva e comunitária, que desterritorializa a poética e a política do cinema mbyá-guarani, o filme abre o Arquivo do cinema e da história-memória mbyá-guarani a outras possibilidades de circulação e inscrição. A essa história-memória da comunidade, articulam-se outras, notadamente a história da morte de Dionísio, o karaí, avô de Ariel, cuja iminência e posterior acontecimento coloca a comunidade diante de uma nova transformação. Outra é a história coletiva da ditadura argentina - a do Estado-nação dos invasores e colonizadores deste tempo. Como elaborá-las no presente? Como sua transmissão participa da resistência e da produção do nhande reko, modo de ser guarani? Como a metamorfose selvagem de Canuto, o filme coloca a sua representação à prova de sua própria possibilidade de inscrição cinematográfica. Em um percurso analítico certamente atravessado por equívocos (Viveiros de Castro) e afetos, propõe-se assim, através da narrativa desterritorializante do filme, explorar o devir-fera deste cinema. |
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| Bibliografia | BRASIL, André. “O olhar da onça: sonho e cinema em A transformação de Canuto”. In: Catálogo do forumdoc.bh.2024. Belo Horizonte: Filmes de Quintal, 2024. pp. 227-239. |