ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | O que é a fase neobarroca do Nuevo Cine Latinoamericano? |
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| Autor | Marco Túlio de Sousa Ulhôa |
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| Resumo Expandido | O Nuevo Cine Latinoamericano é um movimento subcontinental que articula diferentes cineastas e filmes produzidos na América Latina, entre os anos de 1967 e 1985. Definição que tem como consenso entre a crítica, o seu marco inicial no V Festival de Cine de Viña del Mar, realizado no Chile, em março de 1967, bem como seu marco final com a criação da Fundación del Nuevo Cine Latinoamericano, em 1985. No entanto, por mais que o entendimento em torno dos marcos inicial e final do movimento permita delimitá-lo temporalmente, as possibilidades de ampliar o entendimento dos processos históricos e das transformações estéticas ocorridas no desenvolvimento deste período, apontam para as distintas chaves de interpretação, através das quais a história do Nuevo Cine Latinoamericano se organizou em diferentes etapas. Umas das interpretações mais comuns é a que distingue a primeira fase do movimento, entre 1967 e 1973, como um período de “consolidação e expansão” do projeto cinematográfico firmado em Viña del Mar, quando foi redigida a sua primeira declaração. Em contraponto, é a afirmação dos regimes ditatoriais em grande parte da América Latina, com o golpe de Estado no Chile, em 1973, o ponto de virada para uma segunda fase definida por alguns críticos, como uma etapa de “institucionalização e dispersão” que vai de 1973 a 1985. Por sua vez, no artigo Teoría del Nuevo Cine Latinoamericano: de la militancia ao neobarroco, o pesquisador porto-riquenho, Paul A. Schroeder Rodríguez, se ampara nas considerações de Irlemar Chiampi para sustentar que os ciclos de ruptura identificados pela pesquisadora no contexto da modernidade literária latino-americana, como processos baseados no resgate da arte barroca, também servem como instrumentos para o estudo do cinema no continente, permitindo entender as mudanças que acarretaram na passagem de uma “fase militante” à uma “fase neobarroca” no Nuevo Cine Latinoamericano, ocorrida entre o fim da década de 1960 e o início de 1970. Em outro artigo, La fase neobarroca del Nuevo Cine Latinoamericano, o pesquisador elabora sua divisão do movimento em duas fases, sendo a primeira marcada pela perspectiva militante em que predomina a influência do documentário e da estética realista, em representações baseadas nos projetos de libertação política, social e cultural almejados nos diferentes países latino-americanos, durante a década de 1960. Em decorrência, a segunda fase situada entre os anos 1970 e 1980, seria marcada por uma poética neobarroca, a partir da qual muitos dos cineastas que foram militantes, reconceitualizaram seus trabalhos para responderem a um projeto mais complexo: o de desenvolver o equivalente cinematográfico de um discurso político pluralista oposto ao autoritarismo e ao monologismo dos regimes expressivos que se impuseram na região no final dos anos 1960. Dois elementos entram, portanto, em composição no que o pesquisador define como a segunda fase do Nuevo Cine Latinoamericano: o realismo e o projeto político da fase militante; e a poética neobarroca expressa através de narrativas alegóricas e metaficcionais. A seu ver, a fase neobarroca radicaliza a práxis da fase militante, uma vez que redefine sua epistemologia empírica em prol, não de um idealismo empírico, mas de uma realidade mediada pelas estruturas barrocas do pensamento. O que resultaria em um cinema visualmente complexo e intelectualmente desafiante, capaz de relativizar as verdades absolutas dos regimes ditatoriais instalados na América Latina, a partir dos anos 1960. Logo, cabe ao presente estudo questionar se os filmes associados à segunda fase do NCL revelam, de fato, algo em comum que permita identificar não só uma nova etapa do movimento, mas as suas relações com o que foi definido pela teoria literária como neobarroco. É diante deste desafio que a guinada estética observada nestas produções é tomada como objeto para entender o que seria tanto a sua fase neobarroca quanto o próprio Nuevo Cine Latinoamericano. |
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| Bibliografia | DÁVILA, Ignacio del Valle. Cámaras en trance: El Nuevo Cine Latinoamericano, un proyecto cinematográfico subcontinental. Santiago: Editorial Cuarto Propio, 2014. |