ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Beth Carvalho, cineasta amadora: entre o arquivo e o repertório |
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| Autor | Livia Arbex |
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| Resumo Expandido | No documentário “Andança”, Beth Carvalho diz que tem cabeça de pesquisadora tanto de sua vida quanto da vida dos outros. E que mora dentro de um arquivo, que também é sua casa. Em outro trecho, é firme ao dizer que o que falta ao Brasil é negritude. As passagens apontam os caminhos que a cineasta amadora pretende percorrer ao constituir seu acervo. Em muitos dos registros, a câmera amadora de Beth se desloca da zona sul para o subúrbio do Rio de Janeiro. Numa delas, vemos uma roda de samba, até que a imagem trepida fortemente. O evento indica que a câmera mudou de mão. Beth entra em quadro, canta, interage com os músicos. Aponta o dedo, faz um gesto forte como quem diz “ali”, direcionando para onde a lente deve olhar. O registro é pesquisa de repertório para um álbum futuro. Esta apresentação analisa as imagens amadoras de Beth, mulher branca que forjou sua identidade em diálogo com a cultura negra e periférica do Rio de Janeiro. Sua presença nesse território é marcada pelo afeto e pela escuta, ao mesmo tempo que mobiliza contradições, atravessamentos e disputas simbólicas. Refletiremos sobre como se constroem os pactos de pertencimento e debateremos de que forma tais imagens tensionam a ideia de amefricanidade como categoria político-cultural (Lélia Gonzalez). As práticas performáticas - o samba, a roda, o gesto, a fala cantada - são parte dos saberes transmitidos corporalmente. Ao se envolver com essas práticas, Beth se inscreve nelas. Seu corpo dança, vibra, é memória encarnada. Ao inserir sua câmera no coração do samba, a cineasta não apenas documenta: ela também interfere, performa, escolhe o que mostrar e o que não mostrar. A prática é inscrita simultaneamente no arquivo, ao mesmo tempo que é mobilizada como repertório vivo, habitado e compartilhado. Sua câmera não é neutra: ela se movimenta junto com os corpos que filma. O ato não é só registro, mas também presença, relação e reafirmação de pertencimento a uma cultura viva. De que forma tais registros reivindicam uma forma de pertencimento que valoriza os saberes, línguas, estéticas e resistências forjadas por sujeitos subalternizados? A apresentação, ainda, tratará da problemática sobre a visibilidade do arquivo, que não foi catalogado por um repositório. Tais imagens contam, silenciosamente, a história dos aparatos tecnológicos de captação audiovisual no Brasil entre 1960 e 2010. Há registros em super 8, 16mm, cassete, vhs, minidv e câmeras de celular. Os dois últimos nunca circularam ou foram montados. Depois da morte da cantora, em 2019, a família entregou parte do acervo à produtora TV Zero. O longa-metragem de Pedro Bronz é a única obra que retomou parte deste material até o presente momento. |
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| Bibliografia | BLANK, Thais e LINS, Consuelo. Filmes de família, cinema amador e a memória do mundo. Significação: Revista de Cultura Audiovisual v.39, n37, 2012. |