ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Montagem Expandida no Cinema de Realidade Virtual: Formas e Tendências Emergentes |
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| Autor | ALEXANDRE MUNIZ |
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| Resumo Expandido | Este trabalho investiga os desdobramentos da montagem audiovisual no contexto do Cinema de Realidade Virtual (CRV), refletindo sobre como a linguagem cinematográfica tradicional se adapta diante das especificidades da imersão, interatividade e espacialidade. A partir da análise de obras produzidas entre 2017 e 2022, exibidas nos festivais internacionais We Are One e Sundance – New Frontier, observa-se o surgimento de práticas narrativas que deslocam o eixo da montagem linear para uma lógica sensorial e espacial, frequentemente chamada de “montagem vertical” — caracterizada por fusões, sobreposições e transições ambientais que operam simultaneamente em diferentes camadas do ambiente 360º, redefinindo a continuidade audiovisual. A pesquisa articula conceitos clássicos de montagem, com ênfase nas formulações de Sergei Eisenstein, especialmente sua proposta de montagem polifônica — entendida como a justaposição de planos capazes de gerar significados múltiplos e simultâneos — conforme exposta em sua obra A Forma do Filme (1949). Essas reflexões dialogam com abordagens contemporâneas como as de Celine Tricart, que investiga as possibilidades técnicas e narrativas da realidade virtual no livro Virtual Reality Filmmaking: Techniques & Best Practices for VR Filmmakers (2018). A metodologia combina revisão bibliográfica, análise comparativa com outras formas artísticas (como teatro imersivo, dança contemporânea, jogos eletrônicos e escape rooms) e estudo de obras em realidade virtual e realidades estendidas (XR) a partir da participação nos dois festivais mencionados. No CRV, a montagem desloca-se do domínio do tempo para o do espaço, exigindo novas estratégias de condução do olhar e da atenção do espectador, como o uso de “pontos de interesse” e pistas sonoras diegéticas. A experiência audiovisual torna-se ativa: o espectador deixa de ocupar uma posição passiva para construir sua própria trajetória dentro do universo narrativo. Essa transformação demanda uma reconfiguração de elementos como enquadramento e decupagem, pois o campo visual passa a ser definido pelo corpo em movimento do espectador e não apenas pela câmera, instaurando uma nova relação entre narrativa e fruição. O estudo também evidencia o potencial expressivo do CRV na criação de atmosferas sensoriais e no envolvimento emocional, ao explorar corporeidade, presença e agência como aspectos centrais da experiência imersiva. As obras analisadas revelam tendências como a convergência com jogos digitais, a incorporação de mecânicas interativas e a experimentação com linguagens híbridas, reforçando o caráter experimental e transdisciplinar do CRV. Uma tendência significativa é a valorização crescente da imagem parada como recurso expressivo, sem cortes abruptos. Criadores de CRV exploram estratégias visuais para enriquecer momentos estáticos e suavizar transições, utilizando sobreposição de elementos gráficos, inserção de imagens planas em esferas 360º e montagem espacial. Essa abordagem promove uma fluidez narrativa distinta, na qual a expressividade da imagem em 360 graus é potencializada sem recorrer à montagem clássica baseada em sucessão de planos. Conclui-se que a montagem no CRV se reinventa ao abandonar a lógica sequencial tradicional e assumir funções sensoriais, espaciais e relacionais. A linguagem cinematográfica, historicamente ancorada na sucessão temporal de planos, encontra no CRV uma nova articulação — pautada por conexões simultâneas e pela presença ativa do espectador. Assim, o CRV não apenas transforma a montagem como prática técnica, mas desafia os fundamentos da linguagem audiovisual moderna, abrindo um campo fértil para investigações sobre novas formas de narratividade, sensibilidade e engajamento. Essa transição sugere que, no cenário contemporâneo, o cinema imersivo amplia o papel da montagem como mediadora entre percepção, espaço e afetos. |
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| Bibliografia | EISENSTEIN, S. A Forma do Filme. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2002. |