ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Festival de Brasília (2000-2024): sentidos da circulação dos cinemas brasileiros |
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| Autor | Cleide Mara Vilela do Carmo |
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| Resumo Expandido | Neste artigo, gostaria de discutir como os festivais de cinema são ambientes fundamentais para circulação e pluralidade daquilo que definimos como cinemas brasileiros, principalmente, a partir dos anos 2000. Utilizo a ideia de processo social de longa duração de Norbert Elias (2006) para pensar a circulação, destacando elementos de tecnização (a capacidade de estar em movimento pela exploração de objetos) e de um processo civilizador que gere a capacidade de seres humanos de estar em contato com os diferentes grupos. Importante sublinhar que compreendo como processos sociais de longa duração as transformações amplas e contínuas de mais de três gerações formadas de seres humanos, tendo em conta que esses processos sociais podem ser reversíveis, não possuindo objetivo nem fim (Ibidem.). Observa-se também que os processos sociais dependem da ação humana, ainda que nenhum ser humano individual seja o início de um processo social, baseia-se, portanto, "no contínuo entrelaçamento de sensações, pensamentos e ações de diversos seres humanos singulares e de grupos humanos, assim como no curso da natureza não-humana"(Elias, 2006 [2002], p. 31). No ano de 1965, é criado o Festival de Cinema Brasileiro de Brasília, realizado por Jean-Claude Bernardet, Vladimir Carvalho e Paulo Emílio Salles Gomes, então professores da Universidade de Brasília (UnB), e é, hoje, o mais longevo festival realizado no Brasil. Na primeira década dos anos 2000, há duas mudanças tecnológicas que incidem diretamente sobre a dinâmica dos festivais de cinema realizados no país: a ampliação da projeção em formato digital — que passa a ser o formato predominante — e a popularização dos usos da internet através da Web 2.0 (sites e blogs) e do compartilhamento de arquivos peer to peer. Além disso, as políticas públicas de acesso ao ensino superior tiveram como consequência o aumento do número de cursos voltados para o audiovisual e de estudantes universitários, ampliando as possibilidades de produção de filmes e de público. Desse modo, o levantamento realizado por Antônio Leal e Tetê Mattos (2011) indica que o número de festivais realizados no país aumentou de 38 festivais em 1999 para 243 em 2009. O Festival de Brasília serve de um estudo de caso para ilustrar como os cinemas brasileiros se modificaram no século XXI a partir de uma conjuntura de ampliação de acesso à educação e ao aparato técnico de produção cinematográfica e como esse festival se posicionou em suas definições de cinemas brasileiros desde a curadoria e ampliação de exibição das mostras para outros locais do Distrito Federal. Demonstrando os antagonismos e as complementaridade das diferentes posições de quem faz cinema no país no século XXI. |
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| Bibliografia | Elias, Norbert. 1994 [1939]. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994a. ______. 2008 [1970]. Introdução à sociologia. Edições 70: Lisboa, Portugal. |