ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | A sala de roteiro brasileira: um modo de criação híbrido para a televisão contemporânea |
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| Autor | Samir Saraiva Cheida |
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| Resumo Expandido | A proposta desta comunicação se baseia em uma pesquisa que investiga os processos de criação da produção audiovisual brasileira contemporânea. De maneira específica, foca em um modo de organização da produção, a sala de roteiro. Com a difusão de serviços de streaming e uma crescente demanda por séries no Brasil, produtores e roteiristas foram estimulados a utilizar o método norte-americano para escrita de narrativas, nos Estados Unidos chamada de Writer’s Room. A sala de roteiro é um método com hierarquia marcada e com uma figura preponderante no processo de decisão, o showrunner. Entretanto, o Brasil tem uma tradição na produção de televisão e cinema. Por um lado, a novela, o melodrama televisivo, continua sendo um dos programas mais assistidos do país, e possui um método próprio de criação da narrativa. Por outro lado, em parte dos filmes e séries realizadas no país, a forma de condução dos projetos é marcada pelo cinema de autor, uma derivação brasileira da política dos autores da Cahier Du Cinéma. Além disso, a sala brasileira possui uma forte interferência dos executivos das plataformas de streaming e dos interesses da produtora que abriga a sala de roteiro. Quais histórias e quais linguagens são resultado dessas combinações são as perguntas que essa investigação faz. Para isso, o foco da pesquisa irá se dirigir para séries como Rota 66 (2022), criada por Maria Camargo e Teodoro Poppovic, O Rei da TV (2022), criada Marcus Baldini, André Barcinski e Ricardo Grynszpan, Cangaço Novo (2023) criada por Mariana Bardan e Eduardo Melo. São objetos que, de alguma forma, conviveram, em seus processos de criação, com a combinação de diferentes métodos, diferentes tradições, formando uma sala de roteiro híbrida. Como fundamentação teórica, a pesquisa mobiliza os conceitos de crítica do processo de Cecilia Salles. Ao analisar como se desenvolveu a concepção das narrativas audiovisuais, poderemos verificar se, assim como nos traz a pesquisadora, o processo de criação se faz em rede e é consequência da interação entre os projetos pessoais dos diversos membros da equipe. Além disso, a pesquisa dialoga com a história do audiovisual brasileiro, e as reflexões de teóricos como Esther Hamburger e Jean-Claude Bernardet sobre a televisão e o cinema nacional são importantes pontos de apoio para a análise da forma como a produção dos roteiros das séries se organizou no país. Assim, ao trazer para o diálogo as aferições desta pesquisa, o objetivo desta proposta é ampliar o debate sobre o tema e investigar como a sala de roteiro brasileira se atualiza no atual contexto do audiovisual contemporâneo. |
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| Bibliografia | BERNARDET, Jean-Claude; REIS, Francis V. O autor no cinema – a política dos autores: França, Brasil - anos 1950 e 1960. 2. ed. São Paulo: Ed. SESC, 2018. |