ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Lógicas de ruptura: Estranhamento como efeito estético ou como botar onde não se cabe? |
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| Autor | Arthur Fernandes Andrade Lins |
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| Resumo Expandido | Um problema recorrente nos estudos teóricos acerca da montagem narrativa diz respeito às operações de corte e seus diversos efeitos de sentido. Seja através de binômios como transparência e opacidade (XAVIER) ou ruptura e continuidade (AMIEL), o que se percebe como fator determinante para a lógica da narrativa é sempre uma relação provisória e imprevisível entre ligações de montagem que ou asseguram a unidade de uma estrutura articulada ou ressalta a sua fragmentação através de segmentos autônomos e inter-independentes. De uma forma ou de outra, é na questão das múltiplas operações de corte, que o debate acerca da contemporaneidade da narrativa adquire contornos conceituais e significados narrativos. Assim, a questão da narratividade em suas relações de continuidade e ruptura nos parece um problema renovado no cinema contemporâneo de caráter ficcional, que está sendo levantada por diversas linhas de força teórica, como a permanência de um regime de imagens que esteja ligada ao cinema de atrações e concepções mais amplas sobre o cinema de fluxo. Ao recusar a organização das imagens/sons dentro de um sistema narrativo mais convencional, alguns filmes suspendem o regime de representação e sugere formas de acesso a uma poética da fabulação em estado de criação permanente, extraindo força das lacunas do sentido e ampliando as estratégias de estranhamento estético que configura uma vasta discussão no campo das artes, especialmente em seu regime de historicidade moderna. O que alguns filmes parecem buscar em suas tramas elípticas e na (des) articulação do material filmado são estratégias de estranhamento, seja a partir de enxertos e usos diversos de imagens de arquivo; jogos de variações temporais que interrompem qualquer continuidade fluida e orgânica; sobreposição de tempos em uma mesma camada narrativa. Porém como diferenciar os potenciais usos do corte e da fragmentação que busca um sentido de estranhamento formal que esteja de acordo com a ampliação da experiência estética e sua reverberação no campo do imaginário e do simbólico, de um uso mais pautado na ordem da publicidade e da aceleração dos tempos que interrompem a fruição dos planos e dos sentidos em busca de capturar a atenção à qualquer custo? Neste ensaio proposto, partimos dessa inquietação para refletir acerca da lógica de ruptura e da fragmentação que não está de acordo com a massificação dos jump-cuts e do hiper estímulo dos cortes, mas que apontem para um deslocamento de sentido que possa abrir a narrativa de um filme para outros planos de significado. Algo que salta das relações internas do enredo narrativo para dar sobrevida a algum fragmento que busca ainda alcançar algum potencial perdido. Restos e sobras de uma experiência filmada que se vale da lógica da ruptura para causar algum tipo de assombro/estranhamento não previsto em suas relações internas. Na condução e na base do ensaio, faço um relato pessoal do processo de criação de montagem do filme “Pele Fina”, longa-metragem escrito e dirigido por mim em 2022, onde utilizei um trecho de material de arquivo pessoal no intuito de criar uma envergadura na estrutura narrativa proposta no filme e criar um efeito de estranhamento na relação dos espectadores com o filme em questão. No fundo da reflexão, caberia pensar junto com o repentista paraibano Pinto do Monteiro, para o qual o “Poeta é aquele que tira de onde não tem e bota onde não cabe”. |
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| Bibliografia | AMIEL, V. Estética da Montagem. Lisboa: Texto&Grafia, 2010. |