ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Resistir era preciso: apontamentos na sobrevivência do filme Você Também Pode Dar Um Presunto Legal |
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| Autor | Lucas Nakazato Jacobina |
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| Resumo Expandido | Em 1970, o diretor Sergio Muniz começa a produzir o filme "Você também pode dar um presunto legal". Porém, com a impossibilidade de terminar a obra nas circunstâncias da perseguição política e tortura, promulgada pelo Ato Institucional - AI-5, Muniz parte para o autoexílio na França e Itália iniciando uma rota clandestina de produção e preservação cinematográfica (Simis, 2006). Na época foi recomendado ao diretor que não exibisse seu filme por tratar de temas como o financiamento de grandes empresas para as práticas de tortura e ainda propor reflexões sobre a ineficiência do Estado diante das ações arbitrárias do Esquadrão da Morte. Ciente dos perigos que envolvia a produção, e diante do cenário de perseguição e violência ditatorial, Muniz escondeu seu filme em película em Cuba, processo que contou com a ajuda do cineasta Chris Marker e do diretor da cinemateca cubana Alfredo Guevara, e guardou consigo uma cópia em VHS até a primeira exibição pública, que se deu em uma mostra universitária organizada mais de 30 anos depois, pela professora e pesquisadora Anita Simis em 2003 na Unesp – Campus de Araraquara, e posteriormente passa por uma reedição que só foi finalizada em 2006 na edição pela qual conhecemos atualmente. Assim sendo, somente décadas depois do golpe civil-militar, é que o filme pôde expor fatos históricos sobre o regime ditatorial brasileiro, quando finalmente a produção veio a público (Leandro, 2019). Este percurso, sinaliza uma possibilidade, a de que o filme é um expoente do cinema brasileiro na relação da rede de solidariedade, a mesma que foi construída entre cineastas chilenos e europeus após o golpe de estado de 1973 (Aguiar, 2011), um cenário político comum pertencente aos países da América Latina, que sofreram com a chegada das ditaduras militares na segunda metade do século XX. Por meio da análise fílmica é possível identificar na obra, trechos jornalísticos da época, imagens clandestinas que mostram cenas da perpetração, encenações teatrais, atores encenando personagens reais que se incorporam como registros sobreviventes ao tempo fazendo com que “Você também pode dar um presunto legal" assuma a perspectiva de documento histórico, algo semelhante a outros filmes de arquivo produzidos na mesma época que hoje contribuem para a elaboração da memória coletiva sobre a ditadura civil-militar no Brasil (Machado, 2024). A obra de Muniz nos mostra um passado pouco conhecido da filmografia brasileira, uma luta de resistência através dos registros visuais. Naquele período, cineastas ameaçados pela censura arriscaram as próprias vidas em prol da sobrevivência de seus filmes, uma vez que poderiam ameaçar a integridade governamental, é como Georges Didi-Huberman nos lembra em seu livro "Images malgré tout" - “uma imagem surge amiúde no momento em que a palavra parece falhar”. |
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| Bibliografia | AGUIAR, Carolina Amaral de. Cinema e História: documentário de arquivo como lugar de memória. Revista Brasileira de História, v. 31, p. 235-250, 2011. |