ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | O espaço recomposto: o urbano entre o cinema e as histórias em quadrinhos em “Tungstênio” (2018) |
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| Autor | Carlos Eduardo Queiroz |
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| Resumo Expandido | A comunicação aqui proposta tem como objetivo apresentar uma pesquisa de Mestrado em andamento no PPGCine-UFF. O intuito é compartilhar com a comunidade acadêmica a evolução do trabalho, apresentado em seu primeiro estágio de desenvolvimento sob o título “A intervenção visual estilística no cinema adaptado da arte sequencial” no XXVII Encontro Socine, agora com um corpus mais restrito e total enfoque na produção brasileira. A relação de adaptação entre as histórias em quadrinhos e o cinema dentro do contexto da produção brasileira tem seu pontapé, segundo Fábio Vellozo, em 1973. Em seu artigo “A mágicka do cinema: o resgate do trailer de O Judoka (Marcelo Ramos Motta, 1973), primeiro longa-metragem brasileiro baseado em histórias em quadrinhos” (2024), o autor disseca o processo de produção e recepção da película citada. O desenrolar da publicação de Vellozo não se exime de contemplar dois aspectos plástico-linguísticos da adaptação cinematográfica que serão basilares ao desenvolvimento da pesquisa: a ideia de uma “transposição” das histórias em quadrinhos ao cinema e o questionamento de uma possível “fidelidade" (estética, pictórica) que legitime tal transposição. O presente trabalho, por um prisma contemporâneo, propõe se debruçar sobre “Tungstênio”, história em quadrinhos escrita e desenhada por Marcello Quintanilha (2014) e na mesma década adaptada à película por Heitor Dhalia em obra homônima (2018). Investigaremos as aproximações e distanciamentos estéticos da adaptação em questão em uma análise do espaço cinematográfico. Para tal, será necessário compreender tanto o “espaço cinematográfico” de Gardies (1993), sua relatividade, e seu conceito-resposta, a “imagem-espaço” de Gaudin (2011), em busca de uma percepção fenomenológica da tela. A partir dos postulados de Robert Stam (2008), questionaremos a legitimidade da “fidelidade” quando aplicada ao espaço cinematográfico. Analisaremos comparativamente, em seguida, quatro quadros extraídos da película e suas respectivas artes “originárias” dentro do romance gráfico de Quintanilha. Considerando as especificidades espectatoriais de “Tungstênio” (2018) como obra fílmica, a abordagem fenomenológica por Gaudin defendida será insumo essencial para compreender o protagonismo do espaço percebido como fenômeno cinematográfico. O filme de Dhalia é notório por seus esforços de recriação e transposição das composições visuais dos painéis para o quadro fílmico, emulando composições estáticas da arte sequencial original e trazendo para a imagem em movimento as relações entre-quadros por Quintanilha estabelecidas. A cidade de Salvador, em roupagem filmada, encarna a maleabilidade do espaço. Reconfigurada a cada plano, a cada deslocamento dos personagens e da câmera, leva ao primeiro plano o espaço como um agente narrativo expressivo. A cidade se mostra não um pano de fundo, mas um labirinto sensorial que condiciona as ações e emoções dos personagens. O conceito de espacialidade abordado por Gaudin ressoa na maneira como "Tungstênio" se organiza visualmente. A passagem do romance gráfico para o cinema não se dá apenas na esfera da representação visual, mas também na maneira como o espaço é experimentado e vivido. Nesse sentido, a adaptação de Dhalia se apresenta não somente como um tributo à estética de Quintanilha, mas uma reinterpretação da espacialidade e geografia de sua obra. O exercício metodológico comparativo busca evidenciar a maneira como o filme recria, amplia e por vezes subverte os enquadramentos originais do quadrinho, utilizando-se do movimento para gerar novas camadas de significado. Ao examinar planos específicos, será possível perceber como a Salvador de Quintanilha, construída a partir da estilização gráfica, encontra um novo corpo no cinema. Ao fazê-lo, enfatiza a relação dinâmica entre espaço e percepção espectatorial, consolidando a cidade não como um mero cenário transposto, mas como um organismo vivo e mutável que caminha muito além de uma idealizada “fidelidade”. |
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| Bibliografia | CHINITA, F. O metacinema norte-americano e o storytelling: de Orson Welles a David Lynch. In Avanca Cinema 2012, 745-754. Avanca, Portugal: Cineclube de Avanca, 2011. |