ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Cinema Olympia (1912) de Belém: autoria arquitetônica no contexto do Parque de Diversões João Coelho |
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| Autor | Sávio Luis Stoco |
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| Resumo Expandido | O Cinema Olympia de Belém-PA foi inaugurado em 1912 pela firma Teixeira & Martins. Em 1946 a empresa Severiano Ribeiro adquiriu-o, e, após muitas décadas de funcionamento, anunciou o seu fechamento em 2006. Uma manifestação da comunidade belenense surtiu efeito junto à opinião pública e o prefeito Duciomar Costa passou a alugar o espaço, tornando-o parte dos equipamentos culturais municipais. Em 2012, essa sala foi declarada Patrimônio Cultural e Histórico pela Prefeitura Municipal de Belém (Lei Ordinária 8907/2012). Atualmente, no bojo da campanha do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) de candidatura dos Teatros da Amazônia (Theatro da Paz, Belém; e Teatro Amazonas, Manaus) enquanto Patrimônio Mundial da Unesco, o Cinema Olympia é entendido como parte importante do conjunto de bens e manifestações sociais no entorno da Praça da República, integrada à vida do teatro belenense. Portanto, fica nítido que se trata de um patrimônio de vulto não apenas local e que demanda aprofundamento de pesquisas quanto a sua história. Uma reforma de revitalização e readequação iniciada no Cinema Olympia, em 2024, está prevista para ser concluída em 2025 com a decisão de restabelecimento da fachada original de 1912 (totalmente modificada por volta da década de 1940). A arquitetura original desse cinema da Belle Époque é consideravelmente popular, divulgada por fotografias publicadas com destaque no livro "Cinema no Tucupi" (Veriano, 1999) e sua história e memórias adensadas na publicação "Cinema Olympia: cem anos da história social de Belém (1912-2012)" (Veriano, Álvarez, 2012). Mas que outras histórias guardam o projeto original arquitetônico que em breve será retomado? Esta pesquisa levantará uma hipótese de atribuição de autoria para arquitetura do prédio original – até então desconsiderada -, embasada documentalmente, por indícios contextuais e de proximidades estéticas de projetos de salas cinematográficas, antecedentes e posteriores ao Cinema Olympia, e de projetos de outras tipologias desenvolvidas pelo engenheiro arquiteto italiano Filinto Santoro. Este construtor e projetista trilhou uma carreira ascendente, desde sua chegada ao Brasil em 1889, primeiramente com passagens nos estados do Rio de Janeiro e Espirito Santo. A partir de 1900 mudou-se para a região amazônica, onde viveu e trabalhou cerca de 15 anos, primeiramente em Manaus e depois em Belém, onde obteve contratos e concessões de prédios de grande envergadura, como o Colégio Gentil Bittencourt (1906) e o Mercado de São Braz (1911), na capital paraense, e o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, na capital amazonense. Bem como, buscarei inserir a inauguração do Cinema Olympia no contexto do projeto do Parque João Coelho. Este nome foi temporariamente utilizado para designar o Largo da Pólvora (atual Praça da República) e que visava concentrar diversões, tais como cafés cantantes, restaurantes, hotéis, teatros e cinemas, entre outras diversões, aos moldes do Luna Park (1909), parque francês. Tamanha concentração de atrações dava-se pela geografia central do Parque João Coelho, bem como pelos equipamentos urbanos, tais como ruas e passeios calçados, linhas de bonde, fábricas, farmácias, escolas e praças públicas. Estas são características gerais de outras iniciativas cinematográficas e de outras naturezas em demais capitais brasileiras (SOUZA, 2016). Metodologicamente, esta pesquisa analisará historicamente fontes diversificadas, textuais e visuais. Insere-se no campo interdisciplinar da Nova História do Cinema que busca atentar para aspectos socioculturais diversos, tais como as histórias das salas de cinema, desfocando a tradicional atenção dada aos filmes pelos Estudos Cinematográficos. Aliamo-nos, também, aos estudos em História da Arte, particularmente no tocante à História da Arquitetura ao pretendermos comentar esteticamente o desenho do prédio original do Cinema Olympia em cotejo com demais cinemas de Santoro. |
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| Bibliografia | ABEL, Richard. Americanizando o filme: ensaios de história social e cultural do cinema. São Paulo, SP: Cinemateca Brasileira, 2013. |