ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | “NÃO SOU NADA DO QUE VOCÊ PENSOU”: ESTRATÉGIAS DE AUTO INSCRIÇÃO EM JAMES BALDWIN |
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| Autor | Diego Silva Souza |
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| Resumo Expandido | Essa proposta investiga como Baldwin se posiciona como protagonista no cinema documental, ora desafiando as tentativas de controle narrativo por parte de diretores e criando espaços de autorrepresentação, ora se aliando a eles na composição de uma misé-en-scene. O estudo analisa três documentários: Meeting the Man: James Baldwin in Paris (1970), dirigido por Terence Dixon; I Heard It Through the Grapevine (1982), dirigido por Dick Fontaine e Pat Hartley; e James Baldwin: From Another Place (1973), dirigido por Sedat Pakay. Em Meeting the Man, Baldwin enfrenta a visão reducionista de Dixon, que tenta retratá-lo apenas como escritor, desconectando sua obra de sua vivência como homem negro homossexual. Baldwin se recusa a se submeter às expectativas do diretor, assumindo o controle da narrativa ao redirecionar o foco do filme para espaços simbólicos como o bairro argelino de Paris e a Praça da Bastilha. Sua resistência manifesta-se por meio da auto-mise-en-scène, conceito teórico que descreve como um sujeito filmado articula sua própria representação. Por outro lado, em I Heard It Through the Grapevine, Baldwin desempenha um papel ativo, revisitando marcos do movimento pelos direitos civis nos EUA e conduzindo diálogos com antigos companheiros de luta. Esse documentário adota uma abordagem colaborativa, permitindo que Baldwin articule suas reflexões sobre racismo, resistência e memória coletiva. Já em From Another Place, um retrato íntimo de James Baldwin durante sua estadia em Istambul, Pakay estabelece um nível profundo de proximidade entre a câmera e Baldwin, exemplificado logo na cena de abertura, que mostra o escritor seminu em sua cama, em um momento de vulnerabilidade e naturalidade. A partir de conceitos de Jacques Rancière e Jean-Louis Comolli, se propõe uma análise de como Baldwin subverte as dinâmicas de poder inerentes ao cinema documental, transformando-se de objeto passivo em sujeito ativo, destacando o documentário como espaço de negociação de poder, resistência e reconfiguração de narrativas. Mas a proposta não busca apenas enquadrar o escritor em conceitos criado por terceiros, também lançando um olhar para a própria relação de Baldwin com o cinema e as formulações que ele lança para essa linguagem: aquilo que ele próprio chamava de ‘cinema de minha mente’, uma espécie de cinefilia crítica em que ele começou a exercitar suas próprias crenças sobre linguagem, mercado e natureza do cinema. |
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| Bibliografia | BALDWIN, James. Mente Vazia, Oficina do Diabo: Ensaios sobre a política racial do cinema americano. Mµ! Edições. 2022. |