ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Por uma estética de cinema sustentável: Renée Nader Messora e o analógico na direção de fotografia |
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| Autor | Rebeca Franco Fonseca de Freitas |
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| Resumo Expandido | Os filmes Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos e A Flor do Buriti são dirigidos por João Salaviza e Renée Nader Messora, que assina sozinha a direção de fotografia. Tais obras foram realizadas com câmeras analógicas e propõem uma construção que perpassa a mistura de registros ficcionais e documentais. A narrativa do primeiro se passa em Tocantins, na aldeia Pedra Branca. Acompanha a trajetória de Ihjac, um jovem da etnia Krahô; que depois da morte do pai decide decide partir em busca de uma jornada de autoconhecimento. O personagem se vê desafiado a salvar a memória e a ancestralidade dos antepassados. Já A Flor de Buriti discute temas relativos à ancestralidade e à contemporaneidade do povo Krahô. Entre memórias, passado, presente e futuro, a temporalidade desvela-se de maneira espiralar (Martins, 2021): o passado está no presente, e essas duas esferas se misturam ao futuro. Nesse sentido, é possível considerar que nas duas obras a narrativa visual apresenta-se de forma estética e inventiva com a escolha da direção de fotografia em trazer o analógico para ser revelador dessas histórias. Emergindo também reflexões acerca da sustentabilidade em um contexto predominante digital e de consumo desenfreado. Dessa maneira, a direção de fotografia das obras mencionadas entende a imensidão do ecossistema em que está inserida ao optar pelo uso da técnica analógica. A pratica necessita de mais atenção àquilo que passa despercebido pela correria que implica viver sob condições capitalistas de produção acelerada (Han, 2024), frequentemente associada à rapidez da fotografia digital. A aldeia precisa de uma captação mais atenta, com uma temporalidade contracorrente da aceleração e dispersão que se apresenta no contemporâneo, portanto mais condizente com um registro analógico. Nesse sentido, Krenak (2019) reflete a importância de escutar a natureza para combatermos a depredação dos ecossistemas e incentivar a conexão com o meio ambiente. Esta pesquisa aporta-se no método de análise fílmica (Vanoye e Goliot-Lété, 2005), pois está a procura de uma reflexão sobre a prática da fotografia analógica no cinema como um movimento contra hegemônico, a fim de uma maior percepção do cotidiano, desnaturalizando os lugares de poder que são colocados como naturais pelo capitalismo. Embora não haja um momento específico em que a conexão da fotografia com a memória tenha surgido, a interseção entre esses dois temas tem sido discutida ao longo da história da fotografia (Sontag, 2004), refletindo a natureza humana de desejar preservar e compartilhar lembranças visuais. Algo que é cada vez mais difícil pela superabundância de imagens contemporâneas (Calvino, 1990) e por isso se faz crucial o movimento contrário, buscando a reflexão sobre a produção de fotografias analógicas. A pesquisa justifica-se pela produção de pensamentos e estudos acerca dos enfrentamentos sociais e econômicos de toda uma geração representados no cinema. Morin (2000) defende que se precisa fazer um movimento contrário e inesperado em busca de viver poeticamente. O autor vê no estudo uma ferramenta crucial para superar as limitações do pensamento capitalista e argumenta que uma educação orientada para a complexidade e a interdisciplinaridade pode ajudar a formar cidadãos capazes de compreender e enfrentar os desafios globais, promovendo uma sociedade mais justa e sustentável. Nesse sentido, a hipótese da pesquisa é que a direção de fotografia nos filmes Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos e A Flor do Buriti estabelece uma perspectiva estética em defesa do meio ambiente e das comunidades indígenas. Portanto, o problema instaurado busca perceber como os elementos fotográficos analógicos se conjugam para representar um cinema em diálogo com a ecologia e contribuem para pensar em uma produção mais consciente. Nesse sentido, o trabalho compreende o analógico como uma prática em favor da emergência socioambiental, constituindo o cinema como um espaço de resistência. |
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| Bibliografia | BAZIN, André. Ontologia da imagem fotográfica. In: Cinema: ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1991. |