ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Documentaristas e arquitetos no cinema brasileiro dos anos 1970: uma aliança cultural |
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| Autor | André Lima Monfrini |
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| Resumo Expandido | No cinema brasileiro documental dos anos 1970, no momento em que avançava a modernização conservadora ocorrendo sob a tutela do regime militar, a cidade periférica ganhava destaque como assunto cinematográfico. Ao longo desta década, é possível registrar uma aproximação disciplinar entre o documentário brasileiro e o campo da arquitetura. Fim de Semana, de Renato Tapajós (1975) é paradigmático desta interação entre cineastas e arquitetos na realização de um cinema militante sobre o urbano. O filme contou com pesquisa e participação da arquiteta Ermínia Maricato. Tratando da autoprodução de moradia popular na periferia de São Paulo, o curta traz uma narração de viés totalizante inspirada em leituras teóricas formuladas pelo campo da arquitetura, especialmente as ideias de Sérgio Ferro a respeito do canteiro de obras, que inauguraram o movimento da Arquitetura Nova nos anos 1970. O projeto do filme é o de descrever e dar sentido à favela como resultado inerente à "cidade da industrialização dos baixos salários" (MARICATO, 2013, citando formulações de Chico de Oliveira). Documentário de intenções militantes, visava dialogar com a base social nas periferias, num momento de ascensão das lutas populares na chave da resistência ao regime militar. Outro exemplo é Rocinha 1977, filme do arquiteto de formação Sérgio Péo, que registra o universo da favela carioca valendo-se da câmera 16mm e do som sincrônico para percorrer o território urbano e captar testemunhos de moradores, num resultado de viés antropológico afinado à tradição do cinema direto/cinema verdade. Num momento em que o documentário moderno brasileiro absorvia gramáticas mais experimentais, na linha da colagem tropicalista, este filme examina a paisagem da favela carioca através de um longo plano sequência que adentra as ruas e vielas da Rocinha. O depoimento de moradores evoca a memória autoritária dos despejos que realocaram populações de diversos bairros populares durante o ciclo de remoções sistemáticas ocorridas no Rio nos anos 1960. Trata-se de uma fase adiantada da representação da favela descrita por Lícia do Prado Valladares (2005). Nos anos 1970, embora a ideologia remocionista ainda fosse a tônica da gestão do território urbano pelos governos militares, havia ficado claro que a favela era um produto inerente da urbanização brasileira, linha de raciocínio que Rocinha 1977 evidencia. Um conjunto de ideias formuladas pelo campo teórico - por cientistas sociais, arquitetos e agentes políticos -, passa a se manifestar nos filmes documentais com cada vez mais clareza. Há, como argumentam Gorelik e Valladares, uma rede de trocas e negociações que encaminha a ideia de uma crise das possibilidades do planejamento das cidades, absorvendo gradualmente a noção de uma periferia constitutiva à cidade latino-americana no bojo de sua modernização. |
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| Bibliografia | GORELIK, A. La ciudad latinoamericana: una figura de la imaginación social del siglo XX. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Siglo XXI Editores Argentina, 2022. |