ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Contra-realismos antirracistas no audiovisual feminista contemporâneo |
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| Autor | Karla Bessa |
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| Resumo Expandido | Partindo das reflexões de Galt (2023) sobre o cinema e sua longa história na construção de imaginários anticoloniais, este trabalho se volta para as Histórias Impossíveis (2022/2023), composta por cinco episódios independentes, elaborados por Renata Martins, Jaqueline Souza e Grace Passô, em colaboração com as escritoras Thais Fujinaga, Hela Santana, Graciela Guarani e Renata Tupinambá. A série tem como eixo narrativas femininas, de autorias negras e indígenas, estruturadas dentro do realismo mágico ou, como prefiro denominar, de contra-realismo (Fisher, 2022), como uma estratégia estética de crítica social. O episódio Mancha comporta algumas das características fundamentais das contranarrativas feministas mencionadas por Johnston, como: experimentações estéticas que vão além da denúncia das desigualdades de gênero nas telas e das disputas de visibilidade, além de modos de ver objetificadores e fetichizantes. No entanto, a série vai muito além, ao mobilizar as dinâmicas e os poderes dos modos de racialização, expondo, de maneira escurecida, a tentativa da branquitude de ser invisível. O conflito entre a Patroa (branca) e a Empregada Doméstica (negra) é apresentado de forma a interseccionar as diferenças raciais com as de classe, ambas confrontadas no mesmo gênero (mulher cis). Escurecer é um verbo que afirma a proposta estética de Everlane: "O que eu faço, esteticamente, é cultura negra; nós não clareamos as coisas, nós as escurecemos porque é na escuridão que residem as reflexões e introspecções mais profundas". Para realizar a análise aqui proposta, alinho a perspectiva de Everlane com a noção de corpo e agentividade de Ann Lafont, a fim de pensar uma iconografia da emancipação das mulheres negras nas diásporas (ou seu legado), em contrapartida à necessária reterritorialização subjetiva de mulheres brancas de classe média e escolarizadas. Em um segundo momento do texto, analiso os recursos estéticos utilizados na construção das personagens, a narrativa como um todo e as construções visuais do episódio, para refletir sobre o "jogo de cena" na colocação cara a cara dos limites da democracia racial. Limites estes que conduzem ao desespero da máscara branca pseudo-passiva da personagem Mayara (Isabel Teixeira). Por sua vez, a protagonista Laura (Luellen de Castro) e suas amigas encenam algo muito próximo ao que Beatriz Nascimento denominou de devir negro (Nascimento, 2022), ressignificando, em Mancha, a própria noção de "quarto de empregada". |
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| Bibliografia | FISHER, Mark. Realismo Capitalista: Não Há Alternativa? Tradução de Rodrigo Nascimento. São Paulo: Autonomia Literária, 2020. |